quinta-feira, 16 de maio de 2013

Capítulo 32


 Lilyan's POV
Se não houvesse mais ninguém nos corredores quando eu sai do apartamento de Max, eu ainda teria procurado outra Lilyan pelo qual Kelsey chamava. Não me veio motivos na cabeça para ela estar ali e muito menos para ela estar gritando o meu nome. Virei para trás com um sorriso amarelo e esperei que ela viesse até mim.
- Oi? - respondi. - Thomas não está em casa.
- Eu sei. Ele me disse.
- Então... Vocês voltaram?
- Ainda não e não por sua causa.
- Primeiro que a culpa de vocês acabarem não foi minha, que fique bem claro antes de você sair espalhando esse tipo de história por aí.
- Claro que a culpa foi sua ou você realmente acha que se você, mosca morta, não tivesse aparecido, nós teríamos terminado?
- Sinceramente, eu não sei. Mas se você veio pra causa uma confusão, não vai conseguir. Com licença. - passe por ela, em direção ao meu apartamento quando ela voltou a falar, me impedindo de tal ato.
- Não vim comprar briga com você, pelo contrário. Confio tanto em você que tenho algo pra você entregar a Thomas.
- Detesto ironias, já disse isso?
- Ok, eu detesto você e deixo isso bem claro, mas quero que você entregue isso a ele. - estendeu um envelope amarelo e eu o peguei como se fosse algo infectado com uma doença contagiosa. Nada de normal podia vir dela. - Pelo simples fato de ver a sua reação quando souber, nesse minuto, que eu estou grávida.
- Está o que?
- Grávida.
- E você acha que o pai seria o Tom? Tenho certeza que ele teria mais juízo na cabeça. É só isso?
- Se não quiser acreditar, abra os resultados. Não! Melhor! Esteja com ele quando fizer isso, daí não restaram dúvidas.
- Você é impossível, garota. - ri e analisei o que estava em minhas mãos. - Por isso que você diz que vão voltar?
- Mas é claro! Ele tem que estar perto do que ele dele.
- Não necessariamente vocês vão estar casados. Ele é uma boa pessoa, não pra você.
- E você acha mesmo que é pra você? Poupe-me, queridinha. Ele nunca vai ficar com você. Você nunca vai roubá-lo de mim.
- Não quero nada que pertença a ninguém e eu estou muito feliz com a minha situação com Seev. Só acho que você deveria colocar mais seus pés no chão. Conselho de amiga: Não é porque você está grávida ou supostamente grávida, que ele é obrigado a casar com você. Ele não é o tipo de pessoa que está com alguém sem gostar.
- É o que vamos ver. Você não me conhece, Carter.
- Então ótimo, vamos ver no que dá essa sua história. Agora com licença, de novo, eu vou pra minha casa. – novamente virei de costas e continuei andando. Dessa vez não fui impedida e mais uma vez, quando estava abrindo a porta, ouvi mais um de seus avisos: - Eu espero ver você se arrepender de todas as suas palavrinhas bonitinhas, Lilyan! Me aguarde!
- Oh, claro Kelsey. – dei um sorriso de canto de boca e entrei, deixando-a no corredor. Paz novamente, que coisa maravilhosa de se sentir. Aquela garota era visivelmente desequilibrada. Joguei o envelope no sofá e tomei um copo d'água. Grávida. Quem diria.

Obviamente eu estava achando um tanto estranho, porque não me passava pela cabeça que Tom seria tão pateticamente descuidado, mas acho que ele foi. Podia até parecer que não estava preocupada e que o meu... Amigo. Poderia chamar ele assim? Não acharia nenhuma palavra melhor pra descrever sua posição já que “Amor platônico” não estava bem encaixado no meu vocabulário.
A verdade é que por mais que eu me preocupasse, não havia nada que eu pudesse fazer, mas como já havia dito antes, não seria por isso que ele seria obrigado e estar com ele. Ou seria?
Havia percebido que tudo era possível quando se tratava de pessoa sem equilíbrio emocional. Outra conclusão era que Siva não confiou em mim o suficiente para contar sobre a agradável surpresa de Nareesha e suas palavras que não haviam sido nem doces, sutis, meigas e bem pensadas, passavam na minha cabeça a quase todo instante, me impedindo de pensar em qualquer coisa.

Era tarde de sábado quando eu acordei com a campainha tocando. Não costumava acordar tão tarde, até porque eu gostava de sair para correr no parque perto do hotel, mas ultimamente eu estava mais sedentária do que jamais estive na vida, acomodada em casa, comendo chocolates, sorvetes e xícaras descontroladas de café. Corri até a porta e observei quem era pela brecha que abri da porta. Bianca olhava desconfiava entre os corredores e para a janela do lado de fora. Ela estava com duas caixas empilhadas nos braços. Abri a porta e mandei-a entrar.
- Nunca pensei que artigos de casa pesavam tanto! - disse colocando as caixas em um canto da sala.
- Boa dia pra você, também. Pensei que viajasse só amanhã.
- E é verdade, mas eu ainda preciso de ajuda com aquilo ali. Já estou despachando minhas coisas pra casa. Ah, casa! Novinha em folha, só minha, no centro de Madri! Pensei em comprar um cachorro pra não ficar sozinha e um hamster e chama-lo de Carlos! - Bianca pulava de alegria na minha frente, seus olhos brilhando ao falar de eu futuro.
- Carlos? Em um hamster? Só pode estar de brincadeira. - rimos. - Você tem mesmo que ir embora daqui? Vai me deixar sozinha?
- Você não está sozinha, bobinha! Os meninos estão aqui, Seev está aqui. Todos no jornal te amam e você com certeza vai conseguir entrar naquela faculdade e vai ser uma excelente jornalista. De qualquer forma, acho que já está na minha hora de voltar pra casa. Londres já deu o que tinha que dar, uma cidades de loucos!
- Seev? Não por muito tempo.
- Seu estágio acaba só no mês que vem, Lils.
- Não é bem por isso que não temos muito tempo. Longa história.
- Vai ter muito tempo pra me contar no caminho do aeroporto. Tem muito mais coisas de onde vieram essas duas aí. - Tentei me trocar o mais rápido possível, dividindo meu tempo entre tomar um banho, trocar de roupa e comer alguma coisa, tudo isso ao som de uma Bianca animada com a partida. Não entendia porque as coisas eram bem assim e ela podia só mostrar que estava triste por ir. Talvez ela não quisesse estar triste.
Pegamos o primeiro táxi em direção ao aeroporto e demoraríamos um bom tempo até chegar lá. Aeroportos eram sempre tão longes e o trânsito era tão congestionado.
Ao todo foram 10 caixas levadas para o setor das cargas, algumas pesadas, outras mais leves e todas marcadas com letras grandes e vermelhas. Na volta pra casa, acabamos passando em um restaurante no parque, já que a comida que vendiam no aeroporto era cara, ruim e fria, como disse Bianca. Em seguida seguimos para nossa última vez comprando juntas nos brechós conhecidos, atrás de alguma coisa que pudesse se aproveitar.
- É, hoje estava meio fraco por lá. Nem me importei com aquela ruiva aguada pegando o que seria o meu futuro short de couro preto, MAS EU NEM QUERIA MESMO! - gritou para uma garota que ia no lado aposto ao nosso, levando uma sacola em mãos.
- Fica calada, Bianca. Ela é o dobro do nosso tamanho e não tem cara de bons amigos.
- Ela não tem cara de nada, na verdade. Aquela sem sal. ESPERO QUE VOCÊ ENGORDE! - gritava. A garota já estava longe mas nos olhou com uma expressão de quem não se importava com o que a minha amiga gritava.
- Deixando bem claro que se um dia você se meter em confusão, eu sou a primeira a correr e deixar você sozinha.

Ao longo do caminho continuamos conversando, relembrando de quando chegamos em Londres e do estágio. Das pessoas que gostávamos e aquelas que preferíamos nos manter bem longe e olha que não eram poucas. Ainda haviam aquelas que sentiríamos falta da doce rotina que nos proporcionou, como o Sr. Giuseppe e a sua sorveteria com o melhor sorvete que eu havia tomado. Era pra lá que íamos quando meu celular tocou. Olhei rapidamente o visor, sem tira-lo da bolsa. Siva.
- Você não vai atender? - Bianca perguntou.
- Deveria?
- Claro. Isso é pergunta? - dei de ombros e peguei o celular, que ainda tocava, a contra gosto.
- Alô?
- Antigamente eu tinha uma certa namorada que me esperava no aeroporto... - riu. Revirei os olhos e respondi: - Então ela não era eu.
- Claro que era e eu senti sua falta no desembarque.
- Tive que resolver algumas coisas.
- E você ainda não está em casa. Posso saber onde está, se ainda tenho o direito de perguntar?
- Perto do hotel, indo tomar um sorvete...
- Quer que eu dê uma passadinha por aí? Eu estou realmente com saudades. - olhei pra Bia com cara de que não estava gostando da ideia e ela me olhou confusa.
- Não precisa, eu já estou voltando.
- Se você quer assim, tudo bem. - disse desanimado. Odiava aquele tom de voz daquele jeito. Me sentia culpada por aquele sentimento vindo dele, mas não, precisava ser forte e ainda haviam coisas a serem esclarecidas.
- Se importa de esperar por mim na piscina? Acho que dessa vez precisamos mesmo conversa, Seev.   
- Sobre? - houve uma pausa, em que ele esperava que eu lhe adiantasse alguma coisa, mas não o fiz. - Quer saber, não quero saber agora. Nos vemos daqui a pouco. - desligou.

Apesar de Bianca ter dito que teríamos muito tempo para falar sobre Siva, não havia falado nada, como se isso fosse algo pra se adiar mas eu sabia, a partir do momento que ele havia me ligado,ou até antes disso, que não podia mais adiar e teria que tomar decisões importantes, daquelas que eu podia me arrepender mas tiraria um peso enorme dos meus ombros, que eu sentia que estava carregando desde o dia anterior, com a conversa com Nareesha, com suas palavras tão ridículas e bem elaboradas fazendo sentido e com a animação que estava em falta em mim.
    Certas coisas faziam sentido no mundo, mas eu e ele, acho que nunca fizera ou parara de fazer. Nós éramos uma farsa.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Capítulo 31


Lily's POV
– Seev, relaxa, vai ficar tudo bem! Eu aguentei essas semanas sem você e um dia a mais não vai me matar. - eu explicava para Siva e tentava amenizar sua preocupação em me deixar sozinha, já que por conta de aviões lotados, ele e Thomas não conseguiram embarcar. A entrada estava vazia agora, os meninos já deviam ter chegado há horas e eu fui aproveitar a sexta-feira na sorveteria com o Sr. Giuseppe, que me sedia os bons ouvidos de bom grado para despejar todos os meus problemas. Ele tinha me feito muito companhia e na maioria das horas vagas eu ia ajudar na sorveteria. O impasse de hoje era se eu tinha feito certo ou não em ter organizado a festa despedida de Bianca e depois ter ido embora. Apesar de tudo, eu queria que ela se sentisse acolhida por todo mundo e eu esperava que ela tivesse gostado da torta. Sr. Giuseppe dizia que eu tinha um bom coração. Talvez eu só fosse besta demais.
– Eu não gosto da idéia de você ficar sozinha, você tava tão mal.
– Não vou ficar sozinha! Jay me mandou uma mensagem me chamando pra beber no apartamento dele. Eu acabei de chegar em casa.
– Estava na sorveteria?
– Como sempre! - eu ri. Em direção a Hollie, vi uma garota morena conversando com ela. A recepcionista estava aparentemente confusa.
– Srta. Lilyan! - ela gritou. Sorri em resposta e ela fez sinal com a mão para que eu fosse até lá.
– Amor, eu preciso desligar agora, quando chegar no apartamento do Jay eu ligo!
– Certo, não beba demais.
– R-e-l-a-x-a! - gargalhei e desliguei o telefone. Cheguei na mesa e Hollie estava falando.
– Olha, está srta. Pode lhe dar as informações que está pedindo.
– Não precisava te-la chamado. - a garota dizia pra Hollie. - Eu já estava de saída. - direcionou a frase pra mim.
– Ela é a namorada do Sr. Kaneswaran.
– Eu sei. Eu preciso ir agora.
– Não, não vai não! - falei. - Eu sou Lilyan Carter, pode me chamar de Lily se quiser. - sorri e estendi minha mão para que ela apertasse.
– Eu sei quem você é, na verdade. - ela sorriu de volta.
– Bom, eu ainda não sei quem você é!
– Vocês estão se dando bem, vão para o restaurante, noite do piano. - falou Hollie por trás dos óculos. - E vocês precisam desocupar a minha mesa.
– Não precisa, sério, eu já estou de saída.
– Eu insisto! - eu dizia sorrindo. - Se você tiver alguma pergunta pra fazer, pode fazer e ainda podemos tomar um ÓTIMO cappuccino, eles fazem isso como ninguém naquele restaurante! - A levei para uma das minhas mesas preferidas, do lado da janela, vista para os jardins. Não sabia o por que, mas aquela garota parecia bem simpática e deveria conhecer o Seev, por a deixarem entrar aqui. Ao mesmo tempo, um frio na minha barriga se formava, e eu garanto que, todas as vezes que aquela sensação ridícula aparecia, não eram coisas muito boas. Odiava a minha barriga.
– Um cappuccino com bastante chantilly, por favor. - pedi ao garçom. - E você, o que quer? - perguntei á garota até então desconhecida que sentava na minha frente.
– Uma água com gás, por favor. - quando o garçom se retirou, o som do piano encheu os meus ouvidos.
– Então... Você quem é? - perguntei risonha, apoiando meu rosto sobre as mãos.
– Nareesha McCaffrey, prazer, eu acho. - ela era Nareesha? Eu imaginava que ela era bem mais... Malvada, ruim, frio e cruel. Não simpática.
– Você é a Nareesha? Nossa, prazer! Ouvi falar de você algumas vezes!
– Você não vai mandar eu sair daqui?
– Por que eu faria isso?
– Digamos que não me falaram bem de você.
– Que horror! - rimos. - Mas então, quem te falou isso?
– Acho melhor deixarmos isso de fora da conversa.
– Não, não, não, eu quero saber, ok? Relaxa, não sou de confusão. - tentei parecer amigável para tentar descobrir quem estava dizendo que eu não era boa coisa. Até parece que eu faço alguma coisa com alguém.
– Kelsey me contou uma vez...
– Não, para. - a interrompi. - Já sei até sobre o que ela falou... Thomas.
– Exato. - ela tomou um gole da água e continuou. - Ela diz que a culpa do namoro ter acabado é sua.
– Minha não é, tenho certeza. A única coisa que eu fiz foi defende-lo quando ela estava fazendo ceninha no meio de todo mundo. Ele o tratava muito mal, e eu como amiga dele, o defendi. Nada demais. A decisão seguinte foi toda dele.
– Entendo... Eu nunca pensei, sabe, que eles iam realmente acabar um dia. Eles davam tempos e depois estavam juntos de novo, no maior amor. Com isso você nunca sabe quando vão terminar de verdade.
– Mas eu te garanto que pelo menos, quando eu cheguei aqui, nos últimos dois meses, eles iam de mal a pior. Foi melhor, eu acredito que sim. Tom me fala que ficou feliz, mas ultimamente não nos falamos muito.
– Sinto falta dos meninos, sinto falta do hotel, sinto falta do...
– Siva?
– Olha Lilyan, o que eu fiz foi errado. Eu fui embora, sem dizer nada, sumi e acabei o que eu tinha com ele. Não pensei no que eu poderia sentir depois e muito menos como ele ia se sentir. Você é uma pessoa muito boa, pelo que estou vendo, fico feliz que ele tenha encontrado você pra ajudar a preencher um vazio que eu devo ter deixado. - “Está querendo dizer que eu estou aqui pra preencher vazios?”, pensei.
– Acho que ele está feliz sim, nos damos muito bem e eu gosto dele. Longas datas, sabe?
– Era fã?
– Com absoluta certeza e ainda sou, pra ser exata.
– Eu o conheci antes disso tudo. Muita coisa mudou nesse tempo, ainda estou me decidindo se gosto disso ou não, porque veja, eu mesma não aguentei a “pressão”, você também não vai aguentar muito tempo. - “Eu não vou aguentar a pressão? Que eu saiba não fui eu quem foi embora!”. Minha cabeça estava explodindo de pensamentos a cada frase que saia da boca de Nareesha. Ela parecia uma ótima pessoa, claro, mas estava bem claro que ainda tínhamos um ENORME abismo nos separando. Quanto mais o tempo passava na mesa, mais eu tinha a certeza que no fundo ela não gostava de mim. Foram festivais de “Você não vai aguentar a pressão”, “Ainda bem que você está aqui para tapar todos os buracos emocionais que eu deixei.”, “Não leve nada disso para o lado pessoal.”. Como não levar isso para o lado pessoal? Não é todo dia que você encontra com a ex do seu namorado e ela praticamente quer fazer você acreditar que você não era capaz de estar no lugar que ela estava. Mas esse era só o começo. Antes eu tivesse me levantado da mesa, dito que tinha coisas para arrumar, mas eu não tinha como saber que o golpe de misericórdia ainda estava por vir.
– Nossa, olha a hora! Com toda essa conversa eu nem vi o tempo passar! Olha, sinto que já nos conhecemos a meses! - sorri amarelo e respondi em seguida:
– Eu digo o mesmo, querida!
– Quase ia me esquecendo... Eu posso perguntar como anda o … Seev?
– Ele vai bem. Estava falando com ele no telefone antes de encontrar você na recepção...
– Ele ia chegar hoje, não era?
– Ia sim, mas teve problemas com o vôo, ele e Tom.
– Eu ia conversar com ele de novo hoje, terminar algumas coisas que ele não me deixou continuar na nossa última conversa.
– Perdão, última conversa?
– Ele não lhe contou?
– Me contou o que?
– Eu fiz uma... Visitinha, há duas semanas. - visitinha... O que ela queria dizer com “visitinha”?
– O que você quer dizer com isso, exatamente?
– Então você não está sabendo de nada mesmo? - ela gargalhou. Detestei aquilo. - Como seu namorado está confiando em você, Lilyan!
– Olha Nareesha, você está querendo questionar a confiança que o MEU namorado tem em mim?
– Não esqueça que ele também foi meu. - tomou um pouco de sua água e bateu suas unhas na mesa.
– Mas não é mais! Sério, nessa conversa toda eu só conseguir tirar uma conclusão, e não gostei dela: Ou você tem um problema comigo ou tem algum problema de DEIXAR SEU EM EM PAZ.
– Já que a confiança ou a falta dela está um caso sério nesse lugar, eu vou te contar o que foi que eu vim fazer há duas semanas atrás aqui. Eu vim me desculpar com ele, pedir pra voltar! Vim mesmo e não precisa fazer essa cara de impressionada não. Faria tudo isso de novo.
– Mas ele está namorando comigo!
– Eu sei, eu sei, é uma pena. Mas eu sei que ele ainda gosta de mim, ele não pode ter me esquecido tão fácil, eu diria.
– Você acha mesmo que ele estaria comigo só pra não pensar em você, Nareesha? Que ridículo. Você não é o centro do mundo!
– Do mundo não, mas do mundo dele eu era. E eu to tentando lhe mostrar isso a conversa inteira, Lilyan! Ou vai dizer que ele toca no meu nome numa boa? Que vocês dois já conversaram sobre o por que que a gente terminou? - permaneci calada, fornecendo automaticamente a resposta que ela queria. - Foi exatamente o que eu pensei. Você é uma garota legal, sabia? Vai mesmo continuar com alguém que gosta de outra? Que não lhe conta que a ex veio conversar, nem que fosse pra lhe dar uma resposta bonita, dizendo que nunca ia deixar você?
– Se ele gostasse de você, ele me falaria, ele não teria seguido em frente.
– Garota, ele não fala nem as coisas simples, quanto mais isso. Acho que está na hora de vocês terem uma conversinha, ein?
– O que a gente conversa ou não, com certeza não é seu problema.
– Oh, claro que não!
– Eu... Eu vou indo agora. Está tarde. - me levantei rapidamente, pegando minha bolsa e continuando a falar. - Pode colocar as coisas na minha conta, depois eu acerto isso.
– Pode ir, Lilyan. Você pode fugir o quanto quiser mas eu estou realmente feliz de ter tido essa conversa com você. Lembre-se: ele pode até gostar de você, mas ele não te ama. Não vive com esse fardo não, ta fofa?
Fofa. Merda, merda, merda. Por que agora na minha cabeça, tudo que ela falava fazia sentido? Por que eu não conseguia dar respostas auto-suficientes para mostrar que nossa relação era forte, bonita e confiante o suficiente? Não éramos fortes o suficiente? Nada que ele pudesse me dizer iria me fazer ficar mais calma com relação a ele não ter me contado sobre sua “visitinha”. Ele sabia que eu não era do tipo de brigas, não perco o controlo com facilidade e o principal, minha confiança nele era grande o bastante para aguentar qualquer coisa que ele viesse me falar, mesmo que eu mesmo tenha falhado em questões de confiar ou de sinceridade. Mas os meus segredos não sairiam de onde aconteceram, já esse tipo de coisa, com certeza mais pessoas viram nesse hotel, aqui nunca para, de qualquer jeito! Em várias coisas Nareesha podia estar certa, mas a principal era: Precisávamos conversar. O mais rápido possível. Já dentro do elevador, senti meu celular tocar, mas eu não conhecia o número, o que quer que fosse, deveria ser importante e eu precisava me distrair com alguma coisa, nem que fosse com mais coisas pra pensar, sejam elas boas ou ruins.
– Alô?
– Lily?
– Max?
– Eu mesmo. Está ocupada? - Max me ligando de noite, por que com tudo hoje eu estava tendo maus pressentimentos?
– Não, na verdade estou indo pra casa nesse minutinho. Por que?
– Já que você está subindo, pode passar aqui? Tem alguém que precisa de você.
– Precisa de mim? Quem é?
– Você vai ver. - desligou o telefone e as portas na minha frente se abriram. Antes de passar na casa de Max, passei na minha pra deixar a bolsa e a pasta.
Toquei a campainha e a porta foi aberta rapidamente, dando visão para a sala ampla com uma garota deitada no sofá, chorando. E eu conhecia ela. Tentei espiar para ter certeza do que eu estava vendo, mas ele entrou na minha frente e fechou a porta.
– Olha, eu sei que vocês estavam sem se falar mas eu não sabia pra quem ligar, Lils.
– Era Bianca?
– Ou o que restou dela.
– Max, o que aconteceu? Você está me preocupando...
– Ela tentou voltar com Nathan, mas...
– ELA TINHA ACABADO COM ELE? - fiquei surpresa. Como eles tinham terminado? Será que ela havia sido tão grossa comigo quanto foi com ele? Pelo que eu havia entendido até aqui, ele não tivera uma reação tão boa com ela voltando atrás.
– Tinha...
– E o que ele disse? Vamos, me fala logo!
– Ele não reagiu bem e bom, antes de começar a não conseguir falar mais nada, ela disse que ele estava com outra.
– Eu posso entrar? - perguntei. A esse ponto, a minha amiga nesse estado, eu não queria mais nem saber se ela estava com raiva de mim ou não. Meu lado besta estava sempre disposta a ajudar.
– Sinta-se em casa. - ele abriu a porta e entrou antes de mim. - Bia... Acho que tem alguém que quer falar com você. - a garota tirou a cabeça de dentro das almofadas e eu pude ver seu rosto vermelho e já inchado de chorar, sua blusa estava molhada, e seu rímel havia deixado manchas pretas debaixo dos olhos. Ela se levantou depressa e veio em minha direção correndo, me abraçando e chorando ainda mais.
– Lilyan, me perdoa! Por tudo! Eu nunca quis deixar de falar com você, eu sou uma idiota! Não sabia o que eu estava fazendo, eu preciso de você! Lily, você é minha melhor amiga! Meu Deus, me desculpa! - ela soluçava. Olhei pra Max com os olhos cheios de lágrimas e retribui o abraço de Bia.
– Não se preocupa com isso agora, fica calma... Eu não vou te deixar, ok? Está tudo bem. Se acalma.
– Não me deixa sozinha, Lilis, por favor!
– Não vou. - a levei para o sofá e a fiz sentar, tentando fazer com que ela parasse de chorar. - Max, me dá um copo de água com açúcar, se você tiver aí. - o garoto veio com o copo e nós esperamos que Bianca se acalmasse. Passamos um bom tempo fazendo-a rir e até mesmo as péssimas piadas de Max estavam ajudando. Quando eu percebi que ela já estava totalmente calma, ou quase isso, eu voltei a perguntar:
– Bia, o que aconteceu, de verdade? - ela suspirou antes de me responder.
– Bem, eu fui uma idiota e tentei voltar atrás... Sabe Lils, nem todas as pessoas são tão boas como você. Acontece que eu pensei que Nathan podia me perdoar por tudo e não foi bem assim. Ele seguiu em frente bem mais rápido do que eu pensava, mas não se espera nada mais do que isso de uma estrela. São todos assim, mas a culpa foi minha.
– Ei, todos não, eu ainda estou aqui, se querem saber. - Max reclamou.
– Desculpa, carequinha. Não foi bem isso que eu quis dizer. Você é uma ótima pessoa, obrigada por me aguentar.
– Bia, deixa eu pedir uma coisa. - falei rindo.
– Fala.
– Quando você for embora de algum lugar, não sai cortando relação com todo mundo. É ridículo, sua ridícula!
Em muito tempo nós estávamos rindo de novo, juntas. Eu me sentia muito bem quando voltava a falar com alguém importante. Vai ver as amizades são mesmo assim, precisam de grandes problemas pra mostrar que são fortes. Se forem realmente, elas vão resistir aos piores problemas, como agora.
Kelsey's POV
Estava em casa quando meu telefone havia começado a tocar. Tom. Eu sabia que ele iria ligar uma hora ou outra, ele sempre acaba ligando.
– Olá queridinho. Como vão as coisas?
– Não vem com essa de queridinho, Kelsey, não estou pra brincadeiras com você.
– Queria ver um dia que estivesse... - bufei. - Mas então, o que você quer de mim?
– Distância, mas como está difícil de conseguir... Quero saber onde estão os exames que você disse que me mandaria. Já estão no meu apartamento ou não conseguiu uma fraude muito boa?
– Nossa, amor. É do nosso filho que você está falando.
– Nosso filho? Olha, eu só acredito quando uma prova aparecer e aparentemente você não está com ela.
– Na verdade estou. Mas eu sei que você não está em Londres. Não há porque ir deixar em seu humilde apartamento enquanto você não estiver por perto.
– Seu prazo está acabando. Se eu fosse você, deixaria isso debaixo da minha porta até hoje.
– Seu pedido é uma ordem.
– Jogue debaixo da porta ou entregue a algum dos meninos se conseguir cruzar com algum.
– Pode deixar, estou saindo de casa agora.
– Então está certo. Eu ligo depois, dependendo do que eu encontrar amanhã. - desligou o telefone e eu o atirei para bem longe. Revirei as gavetas procurando o envelope grande e amarelo. Pegando-o, guardei dentro da bolsa e já com o casaco, sai de casa, pegando o primeiro taxi que consegui pegar. Eram quase meia noite e eu ainda avistava pessoas andando na rua. Dentro do hotel, a recepcionista estava sentada, escrevendo algo em um computador velho em sua mesa.
– Boa noite. - disse. - Tenho uma encomenda pra deixar para Thomas.
– Desculpe, srta. Kelsey, ele não se encontra aqui.
– É de urgência, sabe. Eu sei que ele não está, ele mesmo me mandou aqui para deixar com um dos rapazes.
– Ele a mandou aqui? - olhou por cima de seus óculos. Quem ela pensava que era para desconfiar de mim?
– Foi isso que você ouviu.
– Hm. Você sabe o caminho.
– Obrigada. - peguei o caminho mais curto para os elevadores. Ah, eu realmente conhecia aquele caminho muito bem e não era porque a “Srta. Lilyan Perfeita E Sonsa Carter” tinha conseguido acabar toda uma história que eu tinha com Thomas, que eu deixaria de aparecer em sua vida. Isso todos podiam ter certeza, ninguém ia se ver livre de mim tão cedo.
Caminhei pelo corredor do seu andar, observando se alguém passaria por ali para que eu pudesse entregar o envelope. Não me agradava a ideia de joga-lo debaixo da porta, porque as camareiras tinham acesso aos quartos, e vai que por muito azar, ele acabaria no lixo?
Também não queria bater no quarto de um dos meninos, por causa da hora e esse, na verdade, era o último caso. Sentei-me em uma das cadeiras, longe de seu apartamento e esperei de 10 a 15 minutos até que me aparece alguém.
Melhor que garotos de boybands, melhor do que camareiras e naquele momento, melhor até que o próprio Thomas. A pessoa ideal para entregar um envelope com exames de gravidez. Alguém para que eu adoraria mostrar que, quaisquer que fossem as suas intenções, agora elas não valiam de nada. Uma garotinha intrometida com quem eu já estava querendo um motivo para mostrar que ninguém mexe comigo.
Eu iria mostrar pra ela, mosquinha morta, que nem em seus sonhos de fã, me veria longe do Parker.
– Hey Lilyan! Você pode vir aqui, por favor?

Capítulo 30


[/N.a: A música do capítulo é Heart of Stone - Iko, deixem carregando e dêem play quando eu avisar.]
Duas semanas voaram. Um pouco mais de 24 horas para voltar pra casa agora.
Levava o restante de uma torta e uma garrafa de um whisky barato nas mãos que eu havia ganhando. Por algum motivo, as garotas do jornal resolveram fazer uma "festa" de despedida no final do expediente. Ninguém me contou quem era a responsável por aquela tentativa de demonstração de amizade e compaixão, no final das contas só me mandaram sentar e relaxar. Na minha opinião, não havia tantas coisas assim para serem comemoradas, mas fiquei feliz em pelo menos, tem ganhado algo beber e esquecer de algumas coisas das últimas semanas que passaram. Lilyan continuava sem falar comigo e acabara cumprindo o que eu "pedi" para fazer no dia em que eu decidi que seria melhor ela se afastar de mim, que era não olhar mais na minha cara. Aparentemente eu estava ficando boa em afastar as pessoas e nem a velha bisbilhoteira do meu andar apareceu para me entregar tortas ou biscoitos. Minhas tarde estavam completamente vazias, literalmente, sem besteiras para beliscar. Uma pessoa estava passando muito pela minha cabeça e seus olhos também. Nathan. Lembrava dele a cada segundo que o relógio batia, a cada vez que eu entrava naquele hotel e todas as vezes que andava pelo seu corredor, o que eu não fazia mais. Me peguei chorando por ele algumas vezes quando estava sozinha, praticamente todo o tempo. Me perguntava, ás vezes, o que eu tinha na cabeça, mas lembrava do motivo pelo qual eu havia feito tudo e me sentia obrigada a não fazer mais aquilo, chorar não mudaria nada, nunca mudou.
Estava difícil entrar no hotel nessa noite. Um grupo gigantesco com mais de 50 garotas gritando estavam na frente do hotel e eu me perguntando o que elas faziam ali, pois pelos boatos que eu ouvi, os meninos só chegariam no domingo, quando eu estaria bem longe dali, evitando mais dor ao ver certos olhos verdes, por sorte. Me espremi entre uma e outra, pedindo licença com toda a paciência que eu tinha no meio da multidão. O saguão estava bem menos cheio. Alguns seguranças faziam guarda nas portas e as pessoas saiam do elevador em direção ao restaurante para a "Noite de música ao vivo.". Basicamente era um cara tocando piano.
– Hey, Hollie. - cumprimentei a recepcionista e coloquei as coisas que estavam nas minhas mãos no balcão por um segundo.
– Boa noite Srta. Fajardo, precisa de alguma coisa?
– Err... O que esse pessoal faz aí na frente? Os meninos só iam chegar no domingo, não?
– Iam. - respondeu sem tirar os olhos da tela de seu computador. - Alguns deles mudaram de planos e estão voltando hoje, pelo que percebemos, algumas fãs descobriram e vieram espera-los aqui. Mas não se preocupe, o transtorno nunca dura muito tempo, eles entrarão pelos fundos.
Mudaram de planos. Será que eu poderia ser mais azarada?
– Você sabe me dizer se... Hm... Quem vai chegar hoje?
– A Srta. quer saber se o garoto Sykes vai chegar, não é mesmo? - olhou para mim por cima de seus óculos com armações escuras e sorriu.
– Nathan? - eu ri. - Não, claro que não! Por que eu iria querer saber dele? Não quero saber de...
– Sim, ele vai chegar hoje. - me interrompeu e voltou sua atenção para o que estava fazendo. E sim, eu poderia ser tão azarada a esse ponto.
– Oh, ah, ok. Não faz diferença. - peguei minhas coisas no balcão mas a memória do que eu realmente tinha ido até ali, falar com Hollie, me veio a cabeça novamente. - Hollie você pode mandar algumas caixas para o meu quarto?
– Caixas, srta.?
– Sim, caixas. Tem algumas coisas ainda que eu tenho que embalar lá em cima e eu preciso delas, o mais rápido que você puder, por favor.
– Claro! Assim que pudermos mandamos as caixas para o seu quarto. - sorriu pra mim e voltou sua atenção para a porta, onde um dos seguranças tinha impedido de uma menina entrar correndo.
A caminho dos corredores do elevador, tudo estava mais calmo e vazio. Uma garota morena estava sentada em um dos bancos, olhando distraída para os lados e constantemente para o relógio. Ela não morava lá, mas eu sabia que conhecia aquele rosto de algum lugar, porém a chegada do elevador me faz parar de tentar lembrar de onde. Minhas costas doíam com o peso da minha bolsa, além de a garrafa de whisky pesar em um dos meus braços. Os segundos que levaram até parar no meu andar foram torturantes para a minha coluna. Ao chegar no apertamento, coloquei as coisas que estavam nos braços em cima da mesa da sala, joguei a bolsa em qualquer lugar e atirei-me no sofá pensando em absolutamente nada. Ou em tudo. Ver todo aquele lugar arrumado, com a maioria das minhas coisas em malas ou em caixas podia até doer, mas doía ainda mais em saber que havia feito aquilo tudo sozinha. Ficar sozinha nos últimos dias tinha sido difícil, ficar sem Lily tinha sido difícil, mas eu só tinha mais um dia e meio, nada que eu não pudesse suportar.
Mentira.
Precisei ocupar a minha cabeça e ataquei o restante da torta que estava em cima da mesa, levando-a para frente de uma das janelas que cobriam quase toda a parede. Estava jantando torta com uma das visões mais lindas da cidade e sozinha. Completamente sozinha. Comer torta não estava me ajudando. Chantili podia ser mais depressivo do que chocolate.
Subi as escadas procurando o que fazer enquanto não mandavam as caixas pra cá. Organizei os meus All Star por cor, dobrei minhas roupas de novo, mudei de local as minhas malas, limpei os pinceis de maquiagem que eu mal havia usado e cheguei até a trocar de roupa, colocando um short antigo e uma blusa de mangas branca. E nada de chegarem as caixas e já haviam se passado uma hora e meia. Desci apressada e se pudesse sair fumaça da minha cabeça por causa da raiva, com certeza sairia. Cheguei a pegar o telefone para ligar para a recepção, mas felizmente a campainha soou. Abre uma porta de uma vez e falei:
– Finalmente! Se isso for depressa então eu... - me interrompi ao ver o garoto careca na minha frente, surpresa. - Max? O que você ta fazendo aqui? Eu pensei que era alguém trazendo as...
– Caixas? Bom, elas estão aqui! Surpresa? Sou muito melhor que o carregador para subir com um monte de papelão. - abriu um sorriso e levantou algumas caixas empilhadas que trazia de trás dele. - Eu estava passando pela recepção e Hollie pediu gentilmente que eu as trouxesse aqui. - estendeu as caixas pra mim e eu peguei, jogando do lado da porta.
– Por acaso você não quer entrar e tomar alguma coisa? Em agradecimento por trazer as caixas, você sabe, não precisava.
– Claro, obrigada! - ele se sentou no sofá e olhou o apartamento.
– Está um pouco bagunçado, não repara. Bom - eu disse, indo até a garrafa de whisky e tirando-o da sacola de papel que estava. - Eu só tenho isso para oferecer no momento, meus chás acabaram.
– Garanto que nada é melhor que um whisky. - servi em dois copos e enquanto o garoto estava no sofá bebendo, me sentei no chão e espalhei as caixas de modo a pegar tudo que precisava e embalar com papel bolha.
– Você não quer ajuda? - perguntou.
– Não precisa, Max. Obrigada! - sorri e continuei embalando uma parte das coisas antes de guarda-las na caixa.
[Deêm play na música e deixem tocando até o final]
– Vem cá, você tem realmente problemas em aceitar ajuda das pessoas? - o olhei, surpresa. Realmente não esperava que ele viesse com essa. Não esperava que NINGUÉM viesse com uma dessas.
– Quando ela é uma estrela, sim, eu tenho.
– E de deixar as pessoas por perto também, não é? - senti minhas mãos gelarem quando ele mencionou aquilo. Provava que ele não estava ali só para beber ou levar algumas caixas. Ele sabia de alguma coisa. Apenas balancei minha cabeça em sinal negativo.
– Não sei do que você está falando.
– Claro que sabe, Bianca. Eu sei de muita coisa.
– Olha Max, com certeza você NÃO sabe.
– Não esqueça que quem você magoou foi um dos meus melhores amigos e a namorada de um deles. Então...
– Eu já disse que não sei do que você está falando! - tomei um gole do whisky tentando conter tudo que poderia sair.
– Você não precisa esconder pra mim, ao contrário das pessoas que você afastou por conta própria, eu estou aqui disposto a conversar e lhe ajudar, quem sabe.
– O que você sabe?
– De tudo. E não creio que Lilyan seja uma "estrela" pra você ter feito o que fez.
– COMO você sabe?
– Ela ligou para Siva uma noite, chorando, contando o que tinha acontecido. Ele não sabia o que fazer, pensou em voltar pra cá o mais rápido possível mas ela disse que não seria preciso, que só precisava de alguém pra conversar. Ela ficou mal, mas pelo que ela me disse, está superando. Fontes suficientes pra você?
– O que ela disse? - senti as lágrimas se acumulando nos meus olhos ao falar dela.
– Bom, ela está sozinha enquanto nós viajamos, ela é legal e sempre que eu posso tento anima-la, assim como os meninos fazem. Eles gostam dela, não tem como não gostar.
– Eu sinto falta dela, e realmente sinto muito por ela estar assim.
– Você não vai perguntar do Nathan?
– Eu não quero falar nisso... - limpei uma lágrima antes que ela escorresse. Me sentia ainda pior quando falavam nele, quando lembrava dele.
– Mas eu acho que é preciso, Bibs. Ele está mal, passou um bom tempo calado, quieto, na dele, quando realmente quis dizer que brigou com você e que tinha terminado sem muitos "porquês".
– Ele ficou mal?
– Claro! Ele gosta de você, ou gostava, não sei mais.
Não respondi. Não achava palavras suficientes para nada.
– Olha, eu sei que você não é uma má pessoa. - ele disse, sentando do meu lado e passando a mão pelos meus ombros. - Então eu só queria saber o por que de você ter feito essas coisas. Você é uma garota legal, afinal de contas.
– É só que eu não... Eu não consigo! - deixei que as lágrimas saíssem e eu não estava nem mais pensando no que Max acharia daquilo tudo. Não importava mais. - Eu gosto dele, realmente gosto mas nós nunca vamos dar certo. Ele é famoso e pode ter quem ele quiser, com certeza devem existir várias meninas atrás dele em cada show...
– Isso era um motivo para acabar com ele sem ter dito o porquê?
– Não, não era! - soluçava. - Mas se ficássemos juntos eu ia sofrer e eu não ia aguentar isso! Por isso eu estou indo embora e desde que decidi isso resolvi cortar laços com todo mundo que eu amava, eu não teria motivo pra voltar atrás e nem porque voltar pra cá.
– E agora você vai embora, deixando quem você gosta magoado e você está magoada também. Qual o propósito disso?
Não havia propósito, era a verdade. Minhas ideias, obviamente, eram completamente sem fundamento, e ir embora sem contato com ninguém e da forma que eu havia feito, só me davam um motivo a mais de dor e de arrependimento. Eu podia ser uma grande idiota.
– E o que VOCÊ quer que eu faça? - solucei enterrando a cabeça nas minhas mãe e deixando as lágrimas rolarem soltas como quisessem.
– Não é óbvio o que eu estou querendo dizer? Vá atrás de quem vale a pena pra você!
– Não sei se teria coragem de ir falar com Nathan, nem com a Lily... Coitada da Lily... O que eu fiz...
– Vai querer passar essas últimas horas sozinhas, secando um litro de whisky e chorando mais ainda, pelo que eu estou vendo?
– Não quero isso, mas Lily deve estar com Seev agora e...
– Siva não veio, teve problemas com o vôo. Vamos lá, Bianca, eu vou com você. Vai pegar um casaco, ta um pouco frio no corredor. - Max sorriu pra mim e me ajudou a levantar. Subi as escadas devagar pensando em cada palavra que eu podia dizer para concertar a situação, acho que nunca tinha feito isso antes. Acho que nunca tinha realmente me importado com alguém antes e impressionante como Max conseguiu mudar minha opinião. Ele era um péssimo piadista, mas era um ótimo amigo, se é que eu podia o chamar assim. Tirei um cardigã verde da mala sem muito cuidado e o vesti enquanto descia as escadas. O garoto me esperava do lado da porta, sorridente. Limpei mais uma lágrima que caia, fechei a porta e saímos em direção ao elevador.
– Você vai falar com quem primeiro? - perguntou Max, quebrando o gelo dentro do elevador.
– Não sei muito bem... Devo uma ótimo explicação para ambos...
– Você vai conseguir. Se precisar de mim, você sabe onde me encontrar. - ele apertou uma das minhas mãos quando as portas se abriram. - Boa sorte, Bia. - deu um beijo em minha testa e saiu.
Estava parada no meio de um corredor vazio sem saber para que lado ir primeiro. Decidi seguir o que apareceu primeiro na minha mente. Olhos verdes, sobrancelhas grossas. Nathan.
Andei devagar, sentindo as pernas tremerem, as minhas mãos soarem. Enxuguei-as no short antes de tocar a campainha. E os segundos na frente da porta branca pareceram séculos, até eu ouvir passos e a porta se abriu. Um Nathan risonho apareceu na minha frente, com o cabelo coberto por um touca cinza. Como se algo o tivesse atingido, seu sorriso sumiu quando ele se deu conta de que era eu parada em sua frente. A recepção calorosa que eu havia imaginado em minha mente nos últimos minutos, se dissipou quando ele falou seco e grosso comigo.
– O que você ta fazendo aqui?
– Eu vim conversar... Será que a gente podia?
– Não, na verdade a gente não pode. Se me der licença, vou voltar para o meu chá agora. - virou de costas, prestes a fechar a porta, mas eu o segurei pelo braço antes que ele fizesse isso.
– Por favor! - pedi, com o restante de voz que ainda tinha, antes do choro me tomar por completo.
– Seja rápida.
– Você não vai me chamar para entrar? - perguntei de cabeça baixa.
– Não. O que tivermos para conversar lá dentro, podemos conversar aqui fora. - bateu a porta atrás dele. - Vamos, comece!
– Eu... Olha, deixa eu falar e depois você pode me responder se quiser, se não pode voltar para o seu chá no seu aconchegante apartamento, ok? - fez sinal positivo com a cabeça. Não conseguia olha-lo nos olhos, o que aumentava o meu nervosismo. - Eu queria pedir desculpas. Perdão, na verdade. Eu nunca deveria ter terminado com você e eu não sei o que eu tinha na cabeça, mas foi um dos maiores erros que eu já cometi. Eu só não... Queria te perder, no fim das contas. - me forcei a olha-lo, nos seus olhos eu podia ver raiva. Seus punhos estavam fechados. - Eu realmente sinto muito.
– Você sente muito? - bateu sua mão na parede que estava atrás dele. - Você acha mesmo que com uma desculpa dessas você vai conseguir alguma coisa? Acha que vai me ter de volta? Nossa, garota! - se afastou, dando alguns passos para o lado oposto que estava. - Olha, se você tivesse vindo aqui, batendo na minha porta há duas semanas atrás eu iria voltar correndo pra você como um cachorro! Só Deus sabe o quanto eu estava gostando de você mas eu percebi que isso ia doer mais do que uma faca me cortando, Bianca! Você é fria, sem coração!
– Não, Nathan! Você está errado! Você entendeu tudo errado! Por favor, me escuta! - corri em sua direção, tentando segurar seu braço, mas ele não deixou minha mão o tocar.
– Não encosta, Bianca! E claro que eu entendi tudo errado! Entendi o seu "Eu te amo" errado! Entendi VOCÊ errado! Você nunca sentia alguma coisa por mim, não é mesmo? - ele gritava. Se aproximou de mim, pegando no meu braço com força e me fazendo olha-lo nos olhos. - Não é isso, Bianca?! - não conseguia responder, nem respirar direito. O choro já havia tomado conta de tudo que eu era e nada mais saia a não ser tentativas dolorosas de respiração.
– Nathan? Está tudo bem? - escutei a porta do apartamento do garoto se abrir. De dentro saiu uma garota ruiva, com calça jeans, blusas de manga e cabelos bagunçados. Olhei para ela perplexa. Nathan soltou meu braço e saiu em direção a garota.
– Volta pra dentro, Mary. Eu já encontro você de novo. - fechando a porta ele se voltou para mim de novo.
– Você já está com outra, não é mesmo? - sorri triste quando a garota entrou novamente.
– Esperava que eu fosse ficar sozinho por quanto tempo? - riu alto.
– Nunca pensei que fosse ficar sozinho. - respondi quase em sussurro.
– E eu não fico. - piscou.
– Ela... Te faz feliz?
– Está me fazendo mais do que você fez. Ela não terminou comigo sem motivo algum, pelo contrário, ela ajudou a concertar o que não estava bem.
– Nunca quis te deixar assim...
– Olha, espero que você tenha dito tudo o que queria e escutado o que merecia, porque não estou disposto a ouvir mais nada. - balancei a cabeça em afirmação. Antes dele fechar a porta consegui forças para chamar seu nome uma última vez.
– Nathan! - corri logo atrás dele.
– O que foi agora?
– Seja... Feliz. - ele me olhou com o mesmo olhar de quando estava gritando comigo em uma parte do corredor, antes de cuspir as últimas palavras em cima de mim e bater a porta na minha cara.
– Desejo o mesmo.
Dei alguns passos para trás, deixando que minhas costas fossem de encontro com a parede. Permiti que eu deslizasse até o chão e continuei chorando, cada vez mais alto e a cada vez que eu tentava puxar uma quantidade maior de ar para os meus pulmões provocava um barulho que ecoava no corredor.
Minha visão estava embaçada depois de minutos sentada ali, chorando, e não reconheci a pessoa que me tirou do chão e me andou comigo até uma porta.
– Bianca? - reconheci a voz de Max quando fui colocada no sofá. Não consegui responder porque não saia mais nenhum som da minha boca. - Você pode me contar o que aconteceu quando puder, eu vou ligar para alguém. Você não está bem.