domingo, 23 de setembro de 2012

Capítulo 27


[A música do capítulo é Under The Sheets - Ellie Goulding, deem play quando eu avisar!]

Tom's POV
– O que você quer dizer com isso, Kelsey? - perguntei já com o sangue me subindo a cabeça.
Esperei ouvir aquela voz esganiçada mais rápido do que um dia já desejei.
– Acho que você ouviu muito bem, meu amor.
– Não me chame de 'meu amor', eu não quero ser isso pra você. - automaticamente respondi, já sendo tomado pela raiva e a vontade de jogar o celular contra algumas das paredes era cada vez maior.
– Desculpe lhe informar, querido, mas você é bem mais do que isso pra mim. Enfim, continuando... Acho que você ouviu muito bem o que eu falei ou seu amorzinho já alterou sua audição?
– Que amorzinho? - retruquei mesmo tendo uma vasta idéia que quem ela estava falando.
– Ora, não seja estúpido! Estou falando de Lilyan! Aquele ser insignificante, que por causa DELA nós não estamos mais juntos!
– Não ouse falar da Lily! - gritei. - Ela não tem NADA haver com isso, entendeu?! E foi por causa de você que terminamos! Você é louca, Kelsey! Tão louca a ponto de inventar que está grávida para tentar falar comigo de novo! Só digo uma coisa... VOCÊ ESTÁ FAZENDO ERRADO!
– Não estou inventando e eu tenho como provar! Era para estarmos juntos, Tom! Tanto que vou ter um filho seu, é destino!
– Era só isso que você tinha pra falar?
– Era.
– Então eu quero ver essas 'provas' até hoje de noite.
– Não posso mandar até hoje de noite porque não estou na cidade.
– E eu não vou estar na cidade amanhã, então você se passa como mentirosa e some da minha vida.
– Já disse que não sou mentirosa. Dou um jeito de mandar os resultados do exame de sangue essa semana para o seu apartamento.
– Pode mandar, porque quando eu voltar, nós vamos juntos.
– Vou adorar, meu amor.
– Não me chame de... Ah, não vou repetir mais nada pra você, não vale a pena. - tirei o celular do ouvido e ia apertar no tão desejado botão de 'finalizar chamada', quando mais uma vez, um grito esganiçado chamando meu nome me impediu de completar a ação.
– O que foi agora?
– Só queria dizer que, se você pensa que aquela sem sal da Lilyan vai ficar com você, pensou errado e muito errado. Ela está bem com o Seev, não se iluda ok, meu bem? Ela nunca vai te amar. Seremos eu e você... E o nosso filho, ou filha. - ouvi o barulho do telefone sendo desligado do outro lado da linha. A raiva que eu estava sentindo me fazia tremer as mãos involuntariamente. Joguei o celular contra a parede e percebi o olhar de espanto quando Max olhou pra mim. Olhei novamente como se dissesse 'Não posso conversar agora. ', sai chutando o que me aparecia pela frente até chegar as escadas que levavam ao andar de cima.
"Pisar no calo.". É como as pessoas chamam, mas eu preferi chamar de 'golpe baixo'.
Preferia terminar o dia sem aquela ligação completamente sem nexo. E claro, para piorar tudo, vem o bônus Lilyan, como assunto final. Era verdade que eu tinha terminado com Kelsey por causa da garota, mas só por ela. Eu não tinha culpa de todas as sensações que ela me fazia sentir, sem mesmo te-la tocado, ou mesmo da vontade de estar cada vez mais perto...
"Ela nunca vai te amar.", disse Kelsey. Pensava nisso a cada segundo deitado na minha cama.
Nunca pensei em obrigá-la a sentir o mesmo. Ela estava bem com Siva e ele parecia realmente gostar dela, o que me levava a crer que ele não iria deixa-la ir, como da última vez. Não podia fazer Lilyan desistir de Siva, assim, como se fosse uma opção viável. Estava perdido em relação a isso, mas algo me dizia que nada durava para sempre e uma esperança longínqua me mantinha confiante. Aquela garota morena de olhos verdes, ah sim, ela era o meu calo.
Enquanto Kelsy e o 'nosso' suposto filho, eu sabia que ela daria um jeito de mandar algum tipo de exame de gravidez falsificado e por isso mesmo comecei a lembrar de contatos que saberiam diferenciar melhor do que eu. Caso ela conseguisse uma cópia muito bem armada, nós acabaríamos com todas as minhas dúvidas em um exame, que claro, eu faria questão de estar presente. Mesmo que a minha consciência me dissesse que tudo não passava de mais uma armação, a sensação estranha que me tomava a cada pensamento mais profundo sobre o passado me fazia temer o que eu menos queria: Ser um futuro pai.
Siva's POV
– Não tem jeito mais rápido de acabar com essa dor de cabeça? - Perguntei a Lily, que gentilmente aceitou cuidar de um namorado de ressaca.
– Eu não mandei você beber como se não houvesse amanhã, mandei?
– Não...
– Então, não, não há modos mais rápidos. - ela me respondeu, tirando a toalha fria a minha testa e levantando-se.
– Aonde você vai? - perguntei me acomodando no sofá.
– Não vou fugir, mas não vou ficar com fome. - se dirigiu a geladeira e pegou uma garrafa
de suco de laranja, servindo-se. Continuou em pé, apoiada no balcão da cozinha, com um olhar vazio em direção a paisagem de fora da janela.
– Aconteceu alguma coisa, Lilyan?
– Aconteceu. - respondeu seca, levantando uma das sobrancelhas para mim.
– E você quer me contar o que é?
– Não sei, você vai mudar? - largou o copo de suco no balcão, cruzou os braços e me fitou séria.
– E o que eu fiz?
– O que você NÃO FEZ, meu amor. - senti sua ironia aumentando a cada palavra.
– Ok, e o que eu não fiz?
– Queria saber até quando vou ficar sabendo da sua vida pelos meninos.
– Do que você está falando? - perguntei, temendo sua resposta. Se Lilyan tivesse ouvido falar algo sobre Nareesha e a noite passada, eu realmente não saberia me explicar da forma convincente e segura. Apesar dela não ser uma garota ciumenta, tinha certeza de que a visita de minha ex e o porre tomado em sua homenagem, não iria trazer harmonia e felicidade no relacionamento.
– Estou falando sobre até quando você vai me esconder que vai passar mais um mês fora, em turnê? Até amanhã, quando você estivesse dentro do avião e me ligasse dizendo que nós não íamos nos ver por um tempo porque você estaria DO OUTRO LADO DO OCEANO! - gritou. Uma sensação de alívio me envolveu. Então ela não sabia da noite passada... Cuidaria para que ela não ficasse sabendo. Na maioria das vezes o passado não iria me ajudar em nada.
Lily estava estressada e enquanto falava sobre o quanto era desconfortavel ser a última a saber de tudo, eu apenas reparava em quanto ela fica bonita vermelha de raiva.
– Siva, você por acaso escutou alguma palava do que eu disse? - aumento a voz em algumas oitavas, me tirando do tranze que me encontrava.
– Claro que escutei, meu amor. - me levantei e fui até onde ela estava, abraçando e olhando-a nos olhos. - Me desculpa, baixinha?
– Não pense que depois de uma discussão você vai me abraçar e me olhar com essa cara de cachorrinho sem dono, e eu vou te desculpar.
– Funcionou dessa vez? - olhei para ela sorrindo.
– Não, ainda estou chateada, seu idiota. - desvencilhou-se do abraço e foi até uma das cadeiras pegar sua bolsa, indo em direção a porta em seguida.
– Você vai embora? - perguntei, fazendo a melhor expressão de tristeza que podia.
– É o que parece, amigo. - abriu a porta e saiu, andando em passoas rápidos até algumas portas ao lado. Corri em sua direção antes que entrasse em seu apartamento.
– Você não precisava sair...
– Você ainda tem muitas coisas da viagem para resolver ainda. Depois que arrumar as malas SOZINHO, porque obviamente você não precisa de mim para isso, nem para estar ciente do que você faz da sua vida, então você fala comigo, sabe onde me encontrar. - procurou suas chaves em sua bolsa e já com ela em mãos, pronta para entrar, olhou para mim novamente e continuou. - Espero que a cachaça de ontem não tenha alterado seus sentidos, para você ainda lembrar aonde sua namorada mora.
– Eu nunca disse que não precisava de você. Pelo contrário, e você sabe disso mais do que ninguém.
– Eu sei, Siva. Mas eu também nunca disse que você precisaria me esconder as coisas. Até mais tarde. - girou rapidamente a chave e adentrou em seu apartamento, batendo a porta e me deixando no corredor sem uma resposta em mente e completamente sem ação.
Ela estava certa. Ela não merecia ser a última a saber de tudo, mas não seria agora que eu contaria sobre Nareesha, porres ou qualquer coisa relacionado a isso.
O que é passado, continua sendo passado.
Lilyan's POV
Cheguei em casa, batendo a porta atrás de mim e jogando a bolsa para qualquer lado que fosse. Odiava ser a última a saber, principalmente de coisas bestas, banais e cotidianas! Precisava de um banho... Estava exausta, tanto por meu namorado ter atitudes de uma criancinha como pela prova que eu achava que tinha me saído bem, mas veríamos esse resultado daqui a 1 mês. Oh, droga, por que tantas coisas aconteciam depois de um mês?
Procurei bebidas na geladeira, mas estava mais vazio do que nunca. Também não havia nada de interessante nos armários. Sem muita escolha, larguei os sapatos na sala e subi para um banho gelado e que eu esperava que me acalmasse. Com a calmaria, veio o vento gelado de Londres pelas janelas e a minha saída foi colocar a roupa mais quentinha do meu guarda-roupa.
Logo me vi sem nada para fazer. Nenhum trabalho do jornal, nada para estudar e sem companhia, pois Bianca havia sumido e não atendia minhas ligações. Acabei onde a maioria das pessoas acabam: em frente a uma televisão vendo programas de gosto duvidoso.
Não sei quanto tempo fiquei naquela situação deplorável, rindo de coisas tão bestas que eu até duvidaria. Por sorte, escutei a campainha tocar, me tirando do transe em que estava.
– Já vai! - gritei, pulando algumas poltronas e chutando para longe os meus sapatos, que ainda se encontravam no meio da sala. Girei a chave rapidamente, abrindo a porta de uma só vez, assustando a pessoa que estava lá parada com sacolas em uma das mãos.
– Hey Lils! - o garoto loiro abriu um sorriso largo pra mim.
– Alex! Não esperava te ver por aqui! Você sumiu, rapaz! - a felicidade de ver alguém conhecido por ali era reconfortante, já que meu namorado havia dado uma de completo idiota e minha melhor amiga havia sumido, Alex era a pessoa mais próxima que eu poderia chamar de 'melhor amigo'. Fui em sua direção, o abraçando e seu perfume amadeirado tomou as minhas narinas. Particularmente, ele estava lindo. Vestindo uma de suas camisetas branca, com jeans e uma jaqueta preta de couro.
– Espero não estar te incomodando... - deu de ombros, espiando dentro do apartamento.
– Não está! Entra! - dei passagem para ele, entrando logo em seguida. - Não repara na bagunça, por favor! Não tive muito tempo de organizar as coisas esses dias. - Ele foi direto para o balcão da pequena cozinha e depositou as sacolas em cima.
– Não vou reparar, prometo. Palavra de escoteiro! - fez um gesto estranho de juramento.
– Não sabia que você era escoteiro. - me encostei em uma das cadeiras da mesa, curiosa para saber o que havia dentro das sacolas.
– Não sou! - rimos juntos. Deus, a risada dele era tão... - Então Alex, o que tem nas sacolas? - corri até onde ele estava, espiando o interior.
– Ah, eu trouxe chocolate! - tirou um vidro com MUITO chocolate dentro e o colocou em cima do balcão. - Me disseram que são ótimos, comprei em uma loja no centro quando vinha pra cá.
– Nossa! Parece delicioso! E na outra sacola, o que tem?
– Uma garrafa do meu whisky preferido.
– Wow! Era o que eu estava precisando hoje! - peguei dois copos no armário e um pouco de gelo.
– Eu sei que precisava. - ele riu enquanto nos servia.
– Como assim 'sabia'?
– Um passarinho me contou que você fez umas provas meio pesadas hoje. .. Saúde! - tomamos os primeiros goles juntos e fomos nos sentar no sofá.
– As coisas se espalham muito rápido entre vocês, viu?
– Nem sempre, olha você errada!
[Deem play na música aqui e continuem até o final.]
– Sabe uma coisa que eu estou certa? - perguntei, me levantando.
– O que?
– Que eu estou com frio e vou pegar um edredom. Aceita um?
– Não, mesmo assim, obrigada. - sorriu e eu subi para pegar algum cobertor de solteiro, mas lembrei que não estava na minha 'casa' e a minha cama agora era de casal. Voltei e o loiro estava acomodado no sofá comendo alguns chocolates e tomando whisky. Me juntei a ele, sentando-me do seu lado no sofá, já coberta.
Já estávamos na metade do litro quando começamos a rir de quase tudo que falávamos e até mesmo o que saia da nossa boca eram coisas sem muito sentido.
– Está um pouco quente aqui, não acha? - depositou seu copo na mesa de centro e voltou seu olhar para mim. - Se importa se eu tirar a jaqueta?
– Não, não me importo nem um pouco. - um sorriso involuntário e malicioso brotou em meus lábios quando respondi a sua pergunta. Colocou-a no chão enquanto eu ficava observando seus braços que ficaram a mostra. - Aliás, você já deveria ter tirado a muito tempo...
– Deveria? - sorriu maliciosamente. - Se você tivesse me dito isso, já teria tirado quando passei por aquela porta. - bebericou mais um pouco do whisky em seu copo e novamente me olhou e abriu o mesmo sorriso de antes. - E sabe outra coisa, Lilyan?
– O que?
– Por que você está usando tanta roupa?
– Porque estava com frio.
– E você ainda está?
– Sinceramente?
– É.
– Não mesmo. - joguei o edredom pra longe e acabei tirando o cardigã rosa que estava por cima da blusa de mangas longas. Me joguei novamente no sofá.
– Sabe o que eu estava pensando? - perguntou Alex, chegando cada vez mais perto. - Eu sei que você namora com o Siva e ele é meu amigo, mas quer saber de uma coisa... - sussurrou no meu ouvido, me fazendo arrepiar. - Amizades coloridas não são necessariamente ruins... - Sim, eu tinha namorado, sim ele tinha me feito raiva e nada é errado se ele não souber.
– Achei que você nunca ia dizer isso, Alex. - nos olhamos como se fosse um consentimento para algo que já queríamos. Em questão de segundos eu já me encontrava nos braços do garoto loiro, selando um beijo desesperado. Sua língua parecia querer explorar toda a minha boca. Suas mãos desciam para a minha cintura, pedindo permissão para que minha blusa fosse tirada. O beijo foi partido quando me levantei, o ajudando a tirar a minha blusa e fazendo o mesmo com a dele.
– Bonitas pantufas, Lily. - disse olhando para os meus pés enquanto beijava minha orelha.
– Cala a boca, Alex. - o empurrei no sofá, o ajudando a tirar seus jeans surrados, ficando de pé e tirando meu shorts. Sentei em cima dele, a sua frente, alternando entra beijar sua orelha e seu pescoço. Senti a mão do garoto subindo para o feixe do meu sutiã quando a campainha tocou novamente, nos fazendo parar com tudo e ficar em silêncio.

Capítulo 26


[A música do capítulo é Cannoball - Little Mix, deem play quando começarem a ler!]

Bianca's POV
O sorriso de Nathan sumiu quando eu disse séria que precisávamos conversar. Ele apenas abriu a porta e fez sinal para que eu entrasse.
– Não repara na bagunça. - ele disse. Como se isso fosse a primeira coisa a me preocupar... Sentei em um dos cantos do sofá, jogando no chão uma embalagem de salgadinho e chutando uma latinha de refrigerante. Ele puxou uma das cadeiras e sentou-se na minha frente. - Então, o que você quer conversar?
– Primeiro eu preciso dizer que o que eu vou dizer é sério e sem volta. Eu pensei nisso cada segundo antes de chegar na sua porta e tocar na campainha.
– Você realmente está me assustando, Bianca. Aconteceu al...
– Nós não podemos mais nos ver. - eu o interrompi.
– O que você está falando? - perguntou confuso.
– Nós não podemos mais ficar juntos, Nathan! As coisas não estão boas.
– Mas por que? O que aconteceu? O que eu fiz?
– Não aconteceu nada! Mas a gente precisa parar por aqui, antes que aconteça. Logo eu vou embora, sabia? Eu vou me magoar enquanto você vai ficar aqui, com várias meninas, com quantas você quiser!
– Você sabe que isso não é verdade!
– Eu sei que é, ok? Poxa, você é uma estrela! Nathan Sykes... Você pode ter quem você quiser...
– Você não sabe o que está falando!
– Para, Nathan! Eu vim aqui porque eu vou me magoar, eu vou embora. Preciso fazer isso por mim, para não sofrer!
– E você acha que eu vou ficar como, ein Bianca? Normal?
– É o que os caras com fama fazem, não é? - minha voz aumentava o volume a cada palavra que eu cuspia, a cada vez que eu sentia o sangue fervendo me subir a cabeça. - Logo você vai estar com qualquer um que te der mole em um bar, ou na rua, ou em qualquer lugar em que você estiver. Você supera.
– Você pensa que é fácil assim? Pensa que é fácil encontrar alguém que realmente esteja com você por quem você por dentro? Encontrar alguém certo não é simples como esquentar comida congelada!
– Você não precisa de alguém certo!
– Tem razão, eu não preciso!
– Está vendo? Eu tenho ra...
– Eu preciso de você, caramba! - ele me interrompeu saindo da cadeira e lançando-a longe.
– Você também não precisa de mim, garoto! Não precisa! Não dificulta as coisas pra mim? - me levantei jogando a bolsa com força no chão e encarando-o.
– Por que você está fazendo isso? - ele perguntou mexendo nervoso no cabelo.
– Eu já disse o porque!
– Eu não consigo acreditar que é só por isso!
– Então aprenda a acreditar!
– Não, não vou acreditar em uma coisa que não existe! Nós não podemos acabar assim, se for pra ser assim, eu quero uma explicação melhor que essa!
– Nós?
– Sim, NÓS! Ou quer dizer que não fomos nada ou...
– Ou o que? Termina! - gritei sem querer. Ele me respondeu quase sem voz, quase um sussurro.
– Ou que você não gosta de mim... - não posso dizer que isso não me atingiu, porque de verdade, aquela frase tinha caído em mim mais forte do que eu pensava, para ser franca, no meu 'roteiro' desta conversa, ele não mencionava nada disso, não sei porque, mas pelo visto, enquanto eu pensava, eu tinha uma idéia do nosso relacionamento ser casual, mas obviamente, não era. Os dias anteriores eu havia envolvido uma quantidade bem grande de sentimento, o que não era uma coisa para ser chamada de 'relacionamento casual'. Sim, eu gostava dele e podia ser até mais do que eu poderia gostar de alguém na vida, mas eu não podia. Então se fosse para não sofrer mais na partida, eu precisava dizer aquilo. Era hora de mentir.
– Responde Bianca! - levantou a voz e jogou alguma coisa para longe.
– Você quer que eu diga? - aumentei a voz.
– Fala logo essa merda que eu tenho que escutar logo!
– Eu não gosto de você, Nathan! E nossa relação era casual, somente casual! Não tenho culpa de você ter posto alguns 'sentimentos' aí.
– Casual? Nós estávamos namorando, que eu saiba!-
– Namorando só se for na sua cabeça!
– Não acredito no que estou ouvindo...
– Mas devia!
– E eu pensei que nós iríamos dar certo... Eu falei que faria de tudo para estar com você e não me importaria de ir algumas vezes por mês á Espanha pra te visitar... - ele olhou decepcionado para mim e deu uma risada abafada. Por que não podíamos simplesmente concordar um com o outro e ir embora?
– Eu vim aqui ter uma conversa calma e explicativa com você, mas acabamos gritando um com o outro. Se você achou melhor assim...
– Não dá pra ter uma conversa 'calma e explicativa' com alguém que fingiu que gostava de você. Você mentiu pra mim lembra?
– Eu vou embora, não sou obrigada a escutar esse tipo de coisa. - peguei minha bolsa bruscamente e quase tropecei enquanto fazia isso. Dei as costas e passei por ele indo em direção a porta. Estava prestes a sair quando ele segurou o meu braço.
– Sabe de uma coisa, Bia? Eu realmente gostava de você, de verdade. - Senti meus olhos se encherem de lágrimas. Voltei o meu rosto para ele. Se eu quisesse, poderia simplesmente voltar a trás, dizer que eu estava mentindo de verdade, dizer que sim, eu gostava dele, de verdade. Nós poderíamos passar por cima disso. Mas não. Eu seguiria em frente. Pessoas comuns fazem isso. Pessoas comuns tem cabeça de não se envolverem em coisas impossíveis. Seu olhar pairava sobre mim, como se fizesse um pedido silencioso para eu ficar. Tentei falar qualquer coisa para ele, mas eu só queria abraça-lo mais uma vez antes de ir. Não sei quanto tempo exatamente ficamos nos olhando quando percebi que uma lágrima caia.
Me soltei do aperto do seu braço e sai. Bati a porta em seguida. Corri para o elevador chorando e tentando impedir que toda aquela cachoeira caísse. Para a minha completa falta de sorte, o elevador estava tão cheio de gente que me perguntaria o que estava acontecendo que eu resolvi ir de escadas. Eram muitos, mas muitos degraus a serem descidos, mas eu estaria sozinha. Desci correndo e depois de tropeçar na minha bolsa que caia do meu braço, me encostei em uma das paredes e continuei a chorar.
Quando me senti mais calma, depois de gritar e chorar quase todo o liquido do meu corpo, resolvi continuar descendo, repetindo pra mim mesma: “Eu espero que um dia você me perdoe, Nathan.”
[Parar música!]
Tom's POV
– Você já se sentiu idiota, Max? - perguntei abrindo uma lata de refrigerante e voltando para o sofá, onde estávamos assistindo um bom futebol.
– O que você fez dessa vez, cara? - perguntou com um certo tom de humor em sua voz.
– O que eu tento fazer, na verdade.
– Já sei que tem mulher no meio... - ele riu.
– Ei, é sério!
– Quem é?
– Lilyan.
– Tom, você falou que ia desistir dela! Se o Siva descobre a confusão é muito pior... - respondeu preocupado. E eu entendia o motivo.
– Não tenho culpa! Ela estava linda ontem, não resisti!
– Você não a agarrou, não é?
– Não. Quase.
– Você precisa para com isso.
– Eu vou parar, ela quer assim... - joguei uma das almofadas longe. - Sabe o que eu não entendo, cara?
– Fala aí!
– Antes de eu conhece-la, sabe, quando ela me mandava cartões virtuais, ela parecia gostar tanto de mim... Mas quando finalmente nos conhecemos, ela acaba namorando com o Siva! O Siva!
– Vai ver era para ser assim...
– Não, eu não acredito nessa história de 'era para ser'.
– Mesmo sem acreditar, lembre-se que quando ela chegou, Siva estava solteiro, você não.
– Nem me fala naquele atraso de vida da Kelsey! Agradeço todo dia por finalmente ter achado um motivo realmente bom para terminar.
– Mas voltando na Lils, vocês não estavam amigos?
– Estávamos, estamos, não sei. Ela quer assim, então eu prefiro ficar perto dela como um amigo, do que perde-la logo de vez.
– Você não vai desistir, não é?
– Não, ela não pode ficar com Siva para sempre.
– Então quer dizer que você também não vai ter nenhuma namorada? - ele gargalhou. - LILYAN FAZ MILAGRES! - gritou.
– Milagre o caralho, que eu não disse isso! Curtir é sempre bom, amigão! - tomei um gole da minha bebida e voltei a falar. - Mas tem que me dar um bom motivo para eu desistir daquela morena... - sorri e ele não me respondeu mais. Talvez nada daquilo precisasse de resposta. Voltamos nossa atenção ao jogo e substituímos os refrigerantes por uma cerveja gelada recém comprada no bar do hotel, com direito a salgadinhos como petiscos. O time que estávamos torcendo tinha acabado de fazer um gol quando meu celular tocou. Ele estava longe e eu com preguiça demais para levantar do sofá.
– Ei, atende aí! - pedi a Max. Puxou o aparelho e atendeu.
– Alô? - uma expressão de aborrecimento apareceu no seu rosto. - Olha minha amiga, quem você pensa que é pra ficar de coisa para o meu lado? Eu ein! - tirou o celular ouvido e o direcionou a mim. - Acho melhor você atender, com certeza não é coisa boa pra essa daí estar te ligando.
– Quem é? - perguntei confuso.
– Atenda! - se distanciou e andou até as escadas, subindo para o andar de cima.
– Alô?
– Olá amor! - acho que conhecia aquela voz... Esganiçada, alta... Falsa animação. Meu coração acelerou por causa da raiva que aquela criatura repugnante me causava, pensava que depois de tudo ela me deixaria em paz, me deixaria viver. Ainda não estava na cara o suficiente que eu não a queria mais na minha vida?
– Kelsey... O que você quer? - perguntei em um tom seco e um tanto ignorante.
– Com calma, garotão, eu tenho uma pergunta a lhe fazer.
– Que pergunta? Dá para você ir direto ao ponto, por favor?
– Você já sonhou em ser pai, querido Thomas?

Capítulo 25


Lilyan's POV
Tinha acabado de sair do banho quando a universidade responsável por aplicar nossas provas ligou, dando a notícia que por alguns motivos, a nossa prova iria ser adiada para o dia seguinte. Eu poderia pensar que fodeu tudo, mas a sorte era que eu, e Bianca consequentemente, estávamos estudando havia algum tempo. Voltei à mesa com uma pilha de livros para revisar o que faltava, com uma xícara do café mais forte que pude encontrar. Café não me agradava, mas provas também não. Não sei a hora em que o café não me serviu mais e eu acabei caindo no sono. Acordei ainda sentada sobre a cadeira, com a coluna completamente arrebentada, ás seis da manhã. Ponto positivo? Tecnicamente estava pronta para fazer essa prova.
Me levantei e fui até a cozinha, esperando achar na cestinha de remédios, algo que melhorasse a minha coluna. Quando engoli o comprimido, subi para tomar um banho e me trocar. Vesti a roupa que eu achava que podia ser mais confortável e a mesma maquiagem simples de sempre. Coloquei o necessário na bolsa, como o celular, um estojo com canetas e alguns resumos para ir estudando no caminho. Eram 7:30 am quando desci para tomar café e Bianca ainda não estava lá. A prova era as 9:00, mas nos recomendaram chegar mais cedo, para não ter nenhum problema. Por que ela não podia ter um pouco de 'pontualidade britânica'? Eu não iria esperar para comer só quando ela aparecesse, eu estava com fome. Pedi panquecas com bastante calda e um chocolate quente grande com chantili. Droga de nervosismo... Ia acabar ganhando uns dois quilos só por causa dessa prova. Eu tinha que passar. Eu tinha que ficar em Londres. Questão de necessidade...
Já estava no meu segundo prato de panquecas quando Bia chegou.
– Lilyan alguma traça está dentro do seu estômago, amiga? Eu nunca vi você comer assim! - ela puxou uma das cadeiras e se sentou, observando o prato vazio que estava na frente do que eu estava comendo agora. - Você deve estar com muita fome, ein?
– Não, não estou. Estou nervosa e por isso eu estou comendo tanto.
– Gordinha ein?
– Cala a boca, Bianca. - continuei comendo enquanto ela beliscava seu sanduíche natural sem graça e sem sabor. Vez ou outra conversávamos sobre o teste, mas fazia questão de cortar esse assunto, a fim de não pedir mais um prato de panquecas.
Saímos do hotel um tanto quanto vazio e pegamos o primeiro taxi que vimos. Fui estudando o caminho inteiro. Percebi que Bianca estava com um olhar vazio ao olhos pela janela, ou que ela queria me contar alguma coisa, mas o que fosse, poderia esperar até sairmos do teste.
Tinham várias pessoas entrando no local dos testes e quando chegamos a sala onde seria, vimos mais ainda. Ótimo, concorrência...
Com mais ou menos meia hora que estávamos lá, uma senhora de cara amarrada entrou.
– Todos olhando para frente, não quero ninguém com cabeças viradas ou com conversinhas. É proibido o uso de aparelhos eletrônicos, então eu sugiro que todos desliguem. Qualquer tipo de pesca ou cola é proibido, causando a anulação da prova. Vocês tem 5 horas para terminar, acabando esse tempo, eu recolho, mesmo que vocês não tenham acabado. Alguma dúvida? Não? Nenhuma? Então eu vou começar a entregar as provas.
Olhei uma última vez para Bianca e acenei a cabeça e sorri, desejando boa sorte. Ela retribuiu. Quando já estava com a prova em minha cadeira percebi que agora só dependia de mim. Um futuro todo dependeria do meu resultado daquela prova.
Era passar ou voltar pra casa.
Siva's POV
Estava com uma dor de cabeça horrível quando eu acordei. Logo percebi que não estava em casa e não lembrava muito bem o que havia acontecido na noite anterior. Tudo cheirava a álcool, comida e vômito em algum lugar. Me levantei devagar e avistei James deitado no chão com uma garrafa.
– Acorda, cara. O que aconteceu ontem? - chutei de leve um dos seus braços na tentativa de faze-lo acordar e quem sabe, me dar alguma explicação, porque eu mesmo, não achava nenhuma.
– O que você ta fazendo aqui essa hora?
– Esperava que você me dissesse isso.
– Você lembra de alguma coisa? - ele perguntou rolando a garrafa para algum dos cantos e arrastando-se para o sofá.
– Acho que sim... - joguei-me na poltrona e passei a mão no rosto, tentando lembrar de algo. - Devo ter chegado aqui de tarde, você estava bebendo e disse que terminou com a Annie...
– Caralho! Eu lembro disso... Lembro de você ter falado da Nareesha também.
– Era melhor nem ter lembrado dessa parte.
– Mas por que você terminou com ela mesmo, Jay?
– Porque ela é uma vadia egoísta. Não vamos falar dela.
– Você que manda, cara. Que horas são?
– Tenho cara de quem sabe as horas?
– Na verdade tem cara de alguém que informa as horas com o relógio que tem no pulso.
– Ah sim... - olhou as horas com dificuldades e riu. - Estamos meio atrasados para o café da manhã, se quer saber.
– Dá pra falar que horas são?
– Quase 2:30pm.
– Deus do céu, dormimos demais! - me levantei em busca das minhas coisas e achei meu celular jogado perto da geladeira e minhas chaves atrás de uma das poltronas. São motivos misteriosos os de como elas foram parar lá.
– Aonde você vai? - perguntou Jay.
– Vou pra casa tomar um bom banho e descer para comprar uma boa aspirina e comer. Ah! E encontrar a minha namorada que não tenho notícias desde ontem.
– Não vou almoçar sozinho.
– Então eu passo aqui quando estiver indo. Odeio essa sua carência, James! Vou perguntar a Lilyan se ela tem alguma amiga pra você.
– Eu não estou carente, seu filho de uma mãe. E eu não preciso de... amigas. Eu posso muito bem arrumar quem eu quiser.
– Ah, claro que pode. Até mais tarde. - bati a porta e andei lentamente em direção ao meu apartamento. Minha cabeça explodia. Puxei o celular depois que entrei e mandei uma mensagem para Lily, que até agora, eu não tinha notícia alguma.
"Adoraria saber onde você está. Bom dia.
xx"
Fui direto para o chuveiro. A água fria caia, aliviando as enxaquecas e me fazendo ter algumas lembranças da noite anterior, algo como eu e James pulando em cima do sofá e Tom reclamando qualquer coisa que, pra mim, não tinha sentido algum. Se bem que, nada estava fazendo muito sentindo, não? Sim, lembro de tudo, ou praticamente tudo de quando tive o infeliz encontro com Nareesha novamente. Aquilo era uma coisa que não fazia sentido e nunca iria fazer.
Depois de errar algumas vezes o lugar da toalha, sai do banheiro sem me preocupar em quanto estaria molhando o piso de madeira. Oh sim, a moça da limpeza iria reclamar comigo...
Coloquei uma calça de moletom quente e uma blusa sem mangas preta. Calcei um tênis e peguei uma jaqueta. Olhei para o celular esperando ter alguma resposta, mas ele continuava lá, do jeito que eu o tinha deixado. Ela só podia estar fazendo alguma coisa. Eu só tinha que me lembrar o que... Comecei a tentar lembrar de todas as coisas que ela me disse que ia fazer...
Prova da faculdade. Era isso. Ela não iria responder e provavelmente não iria aparecer para o almoço. Peguei meus óculos escuros por causa da vermelhidão que apareceu em meus olhos, tranquei tudo e andei por algumas portas novamente até voltar ao apartamento de Jay. Felizmente ele não demorou e logo estávamos no elevador rindo sobre coisas que ele tinha lembrado da noite que passou. Com certeza ele poderia ficar sem lembrar.
Como de costume, o restaurante estava quase vazio nas tardes de segunda-feira, mas o almoço ainda estava quente e com uma cara muito boa, diga-se de passagem.
– E aí, tem notícias da Lilyan?
– Não, lembrei que ela está fazendo prova... - por mais ridículo que pareça, passar tanto tempo sem falar com ela, me fazia sentir muito sua falta.
– Ei cara, por que essa cara? Você está extremamente meloso por causa dela. Relaxa.
– Ei! - protestei. - Eu sinto a falta dela, ok? Ok.
– Então fique feliz em saber que ela ta vindo aí. - virei minha cabeça e um sorriso involuntário apareceu quase que instantaneamente. Linda, ela era sempre linda. Me levantei e fui em sua direção para lhe abraçar. Dei um beijo em sua bochecha, que ela retribuiu.
– Vejo que a princesa acordou, não foi? - Lilyan me deu um sorriso irônico enquanto eu puxava uma cadeira do meu lado para ela sentar. - Logo você que costuma acordar mais cedo...
– É... Aconteceram alguns pequenos imprevistos ontem de noite.
– Eu já sei o que houve, Seev. Tenho meus informantes! - gargalhava enquanto procurava alguma comida no cardápio.
– Max ou Tom? - Jay perguntou rindo quem a havia informado.
– Tom!
– “Tom.” - fiz uma imitação tosca e sem graça... Ora, ciúmes.
– Siva, nós já falamos sobre isso... - reclamou, lançando-me um dos seus olhares mais repreendedores. Funcionava...
– Lilyan... - ia começar um longo discurso de como eu tinha ciúmes e que não era pra ela se importar com isso, mas Jay fez o favor de me interromper.
– Mas então, Lils, onde está a Bia? Ela não estava fazendo prova com você?
– Ela estava atrás de mim quando eu vinha pra cá... Agora eu estou realmente curiosa... Ela não me falou nada... Você não a via quando eu estava vindo?
– Não, você veio sozinha. - ele a respondeu. Vi sua expressão mudar de feliz para preocupada.
– Vai ver ela foi no banheiro, baixinha.
– Vai ver... Adoraria saber pra onde ela foi. Ela não sairia assim, sem me falar nada, Seev... Só quando... - ela abaixou a cabeça e mexeu em um dos anéis do seu dedo.
– Só quando, o que? - levantei sua cabeça delicadamente com uma das mãos.
– Quando ela vai fazer merda.
Bianca's POV
Particularmente eu odiava elevadores. Principalmente quando eu estava nervosa. Eles me davam uma sensação de que as coisas não iam dar certo, mas fico feliz em dizer que, se tudo ocorresse como na minha cabeça, tudo sairia bem ou quase. Uma vez que eu descobri qual era o problema sobre eu não estar me sentindo bem, eu precisava acabar com isso, antes que acabasse comigo, que me consumisse por dentro. Simplesmente decidi enquanto fazia uma das provas mais cansativas da minha vida, mas acho que até fui bem... Eu que não estava bem. Desde aquela última tarde, desde essa manhã, desde agora.
Minha respiração estava rápida e ofegante, como se eu tivesse corrido vários quilômetros antes de entrar aqui. Estava sem fome, mas sentia meu estômago afundando a cada andar que subia, a cada vez que eu olhava minha imagem refletida no espelho. Era a decisão certa? Claro que era. Havia pensado muito antes disso. Não poderia contar para ninguém antes de fazer, Lilyan por exemplo, não me apoiaria e insistiria que era uma loucura e que eu estava completamente errada. Não, não era. Era sábia, importante e realista. Completamente realista. Realista era o que eu não estava sendo ultimamente. Hora de acabar com isso.
O elevador para. Vigésimo quinto andar. Saindo dali era um caminho sem volta. Certo.
Andei com passos leves até o apartamento que eu já estava acostumada a estar. Tão familiar e tão... Desconfortável? Não sei se seria a palavra certa...
Minhas mãos tremiam e insistiam em suar. Minhas pernas tremiam e por um instante pensei em voltar, mas aí eu fiz. Toquei a campainha.
Alguns minutos passaram enquanto eu cantarolava qualquer música que vinha a cabeça, mas ninguém abriu a porta.
Toquei novamente a campainha. Não poderia voltar sem fazer o que pretendia.
Barulhos. Uma chave sendo girada e um garoto ainda de pijama aparece a minha frente e abre um sorriso. Eu não estava para sorrisos...
– Bom dia, Bia! Eu achava que você não ia aparecer até mais tarde e...
– Nathan, nós precisamos conversar.