Lilyan's
POV
Meu sangue
esfriou quando escutei a campainha tocar. As coisas não podiam estar
saindo mais do controle. Tirei as mãos quentes de Alex de minha
cintura e sai em passos leves de cima dele para ir até a porta, sem
fazer barulho, tentando espiar pelo olho-mágico da porta. Uma
senhora baixinha com roupa de camareira olhava fixamente para a
porta, desviando por alguns segundos os olhares para os corredores,
na esperança de não estar sozinha.
O alivio
que eu senti foi tão profundo que pude sentir minha alma sendo limpa
novamente. Se é que um dia ela foi limpa.
Me afastei
da porta com a mesma leveza que me aproximei, esperando que a velha
não tivesse ouvido nada e não ouviria se não estivesse ninguém em
casa. Logo ela passaria para outros apartamentos. Logo.
A
preocupação e culpa insistiam em bater na minha cabeça, como um
martelo na tentativa frustrante de perfurar uma pesada parede de
concreto com pregos. Cada vez mais sentia um arrepio, não de frio
por estar apenas com um sutiã semi aberto e uma calcinha nada
discreta, mas de medo. Medo de ser ouvido ou pega com um cara que não
era o meu namorado. Fui até a mesa de centro onde se encontravam os
copos com bebidas quente, bebidas que tinham me deixado naquele
estado. O medo e o nervosismo estavam me fazendo ficar sóbria, mas
não queria ficar.
Não que
eu achasse que Siva merecia ser traído, pois não merecia. Ele
sempre fora uma das pessoas mais atenciosas que conheci na vida e
gostava de mim. Parecia que sim. Mas precisava do que Alex poderia me
proporcionar, era uma confiança que ele me passava para isso,
misturada com um pouco de insanidade.
Era
estranho, mas Seev, até agora, não me passara essa confiança para
algo mais e depois de hoje, do meu querido esconder-me coisas tão
banais e simples, ela simplesmente fora reduzida para possibilidades
remotas de fazermos sexo.
- Você
está bem? - perguntou Alex quando me viu pegar o restante da garrafa
de whisky e seca-la em poucos goles. Parecia preocupado, ou um tanto
desconfortável.
- Estou...
Melhor... Do... Que nunca. - respondi com dificuldade, sentindo o
líquido descer queimando cada vez mais em minha garganta.
- Você
não parece estar bem, Lils. - insistiu preocupado. - Se for sobre o
que quase fizemos... Não estou aqui para te pressionar. Acho que
seria um erro...
- Um erro?
- bufei. - Erros não, meu querido. Não cometo erros, só as vezes.
Raras vezes... - gargalhei rodopiando em torno de mim mesma.
- Você
não precisa fazer isso. - coçou sua cabeça.
- Alex,
entenda. - passei a mão em seu rosto. - Eu nunca deixo nada pela
metade... - Andei em direção ao sofá, segurando levemente uma de
suas mãos e soltando-as logo em seguida, quando olhei por cima do
ombro para o loiro parado, olhado fixamente para mim. - Então eu
acho que você devia realmente terminar de tirar esse sutiã ou eu
mesma faço isso. Joguei-me em um dos cantos esperando que ele
fizesse o mesmo. Logo me vi em cima de suas pernas novamente, tendo o
meu sutiã puxado com mãos rápidas e sendo atirado para alguma
parte da sala, assim como nossas roupas.
Senti seu
hálito quente em meu pescoço, enquanto ele o beijava rapidamente,
logo descendo para os meios seios descobertos. Quando sua boca os
alcançou, um gemido fraco saiu involuntariamente de minha garganta,
mas não pedi que parasse. O garoto me jogou para um dos lados do
sofá de repente, me beijando como se sua vida dependesse daquilo.
Ele era quente, sua mãos eram quentes. Ele me excitava. Minhas mãos
logo chegaram a sua cueca, na tentativa de abaixa-la e chegar ao
lugar onde o meu corpo mais desejava. O garoto parecia ter entendido
a minha ação seguinte, me ajudando a abaixa-la e logo procurando o
fino tecido da minha calcinha de renda. O olhei dando um sorriso
malicioso enquanto ele a tirava usando apenas um dos dedos.
Senti sua
língua passando na minha orelha quando ele finalmente me preencheu,
me deixando escapar um gemido um pouco alto demais, o qual tentei
abafar com a pele suada do rapaz. Minha consciência parecia me
trair naquele momento, passando na minha cabeça várias e várias
vezes em uma questão de segundos o que eu estava fazendo, mas nunca
tinha passado pela minha cabeça o quanto seria bom cada movimento
que Alex fazia e cada sensação que ele estava me proporcionando
agora. Nada parecia tão prazeroso. Siva não parecia tão prazeroso
assim. Eu o traíra, mas era tudo muito justificável levando em
consideração que eu havia passado mais tempo com Alex do que com
meu namorado há algumas semanas atrás. Mulheres também tinham
algumas necessidades, isso era um fato e nada melhor do que uma
amizade colorida para suprir isso.
Seus
movimentos constates aumentavam de velocidade gradativamente,
afastando-me de cada pensamento que estava tendo nos últimos
minutos. Minhas unhas cravavam cada vez mais na sua pele, fazendo-o
gemer no meu ouvido e levando-me a morder seu ombro constantemente.
Sufoquei um gemido alto com uma das almofadas do meu lado quando
chegamos ao nosso ápice e as mãos do garoto, que estavam apoiados
na parte de cima do sofá, se soltaram devagar, trêmulas. Ele tirou
seu membro de dentro de mim e se pôs do meu lado, ofegando
rapidamente e novamente olhando pra mim e sorrindo.
Não
percebi que ele se aproximava a cada segundo e quando percebi estávamos nos beijando novamente, com mais intensidade até do que da
última vez. Sua boca alternava entre minha boca e o meu pescoço
coberto apenas pela correntinha que usava. Separei nossos lábios
quando um dos seus beijos acabou me deixando sem ar. Me encostei em
seu lado, jogando minhas pernas para o lado oposto, brincado com um
fio de cabelo que caia no rosto de Alex.
Depois de
um tempo, um do lado do outro, eu e Alex nos olhamos e sorrimos, o
que me fez rir logo em seguida.
- O que
tem de tão engraçado? - perguntou o garoto, também rindo.
- Nada! -
respondi. - Isso foi realmente legal!
- É foi!
- É como
dizem, amizade colorida é melhor e não faz mal. - pisquei para ele
enquanto ria.
- Lilyan,
só você mesmo...
- Sou
única, querido. - gargalhamos juntos. Ele juntava suas roupas pela
sala e vestia-se em um canto da sala, fiz o mesmo.
Liguei a
televisão e peguei o restante dos chocolates que Alex tinha trazido.
Fiquei sentada no balcão com uma jarra de água do meu lado.
O garoto
mantinha o olhar para fora da janela, sem prestar atenção na
programação que passava em sua frente.
- Você
acha que foi certo? - o olhei com expressão confusa. - Você sabe...
Nós dois?
- Ah! Não
acho que tenha sido errado, relaxa! Ninguém vai saber, pelo menos
não por mim, até porque você é uma das pessoas que eu mais confio
nessa cidade, você é meu amigo e eu tenho namorado...
- E eu
tenho uma namorada também. Você também é minha amiga, Lils, e a
última coisa que eu queria era que parássemos de nos falar.
-
NAMORADA?! Alex! Você não me contou disso! - desci do balcão e fui
até ele, batendo no seu ombro em reprovação.
- Ia te
contar, você deu uma sumida, lembra?
- Existe
uma coisa chamada CELULAR!
- Ok,
desculpa, para de me bater! - ele riu, passando a mão no ombro já
vermelho.
- Pode me
contar tudo que eu perdi, agora! - corri para o balcão para pegar o
chocolate e corri em direção ao sofá, esperando o que ele tinha
para me contar. Ficamos assim, rindo e jogando conversa fora por um
bom, bom tempo, perdi a hora, na verdade. E foi como se nada tivesse
acontecido.
x
Acordo com
o despertador tocando com uma música irritante do meu lado. No sofá.
Coberta com o edredom. Não sabia muito bem como fui parar ali, nunca
sei de nada. O apartamento estava mais arrumado do que na noite
anterior. Procurei me informar sobre as horas mas estava sem óculos,
me impedindo de ver o relógio que havia na cozinha.
Levantei
com calma, esperando que uma dor de cabeça me atingisse, mas ela não
chegou e eu fiquei agradecida por isso. Praticamente rastejei nos
degraus até chegar ao meu quarto. Procurei um relógio e ótimo, não
estava atrasada. Ainda tinha uma hora.
Tomei um
banho frio para despertas os ânimos e realmente levei um susto ao me
ver no espelho. Olhos vermelhos e olheiras. Maravilha. Ótimo jeito
de começar o dia.
Pelo que
percebi, o clima estava abafado e olhando pela janela pude ver
árvores balançando com o vento. Havia cansado de frio, graças a
Deus um dia ensolarado.
Me vesti e dei
um jeito no cabelo molhado.
Não sabia
mais onde estava o celular. Sai jogando todas as almofadas no chão e
afastando os móveis que podia, até encontra-lo perto da geladeira.
Algumas
ligações, muitas mensagens. Siva.
"Tentei
te ligar noite passada, acho que você dormiu cedo. Queria me
desculpar por ontem, não foi minha intenção te deixar chateada,
prometo que isso nunca mais vai acontecer, porque eu te amo. Enfim,
nossas viagens foram encurtadas e estamos voltando daqui a duas
semanas ou três semanas. Espere por mim. Vou sentir sua falta. xxx."
Lindo.
Meigo. Carinhoso. Lindo. Tentei responder da melhor forma que pude.
Não conseguia ficar com raiva do Seev, meu Deus, eu ainda ia me
arrepender muito disso, mas resolvi normalizar as coisas.
Olhei para
as horas no visor. Não daria tempo comer, com certeza iria pedir
algumas coxinhas e cappuccino de chocolate de novo. Tranquei o
apartamento e entrei no elevador, na saída estava dando "Bom
dia" para todo mundo, estava de bom humor. Resolvi andar um
pouco antes de pegar um táxi qualquer. O dia estava lindo, o sol
brilhava e o vento batia nos meus cabelos, fazendo o perfume que
estava usando chegar as minhas narinas com facilidade.
Por
incrível sorte, o taxista que havia pego era um senhor londrino
muito simpático, que fez questão de me contar algumas coisas
históricas da cidade.
Quando
cheguei até o prédio comercial do jornal, ele parecia muito mais
acolhedor do que antes, talvez fosse a falta que eu estava sentindo
de estagiar no que eu amava. Sentia que boas notícias estariam por
vir naquele dia. Talvez nem tão boas assim.
Não havia
muito trânsito de pessoas na sala onde ficavam os funcionários.
Avistei os rostos conhecidos que vieram falar comigo e me dizer que
sentiam minha falta. Sentiria falta daquilo quando voltasse pra casa.
Me dirigi até a mesa onde vários papéis lembretes estavam colados
nas paredes do pequeno cubículo, havia trabalho para ser feito.
Liguei
para a cafeteria e pedi o de sempre no café da manhã.
As horas
foram passando e nada de Bianca dar as caras por ali. Na verdade, eu
não tinha notícias dela desde o dia anterior, depois da prova que
fizemos, o que me preocupava, pois ela nunca recusava minhas
ligações.
Olhei em
volta procurando mais alguém que pudesse me dizer aonde ela estava.
- Hey
Jully! - chamei a garota ruiva que ficava do meu lado que eu nunca
havia falado muito, mas certas coisas eram precisas se fazer. Ela
sabia das coisas. Tinha informações primeiro do que todos por ali.
- Você sabe me dizer aonde Bia está?
- Você
não está sabendo, Lils?
- Sabendo
do que? - senti minha expressão ficar mais séria e um frio passava
pelo meu sangue.
- Isso é
informação confidencial, Carter. - deu um risinho. Estava soando
insuportável pra mim.
- Cala a
boca, Jullyan. Ela é minha melhor amiga, eu mereço saber não acha?
- Acho,
acho demais, garota. E tem mais uma coisa que eu acho, quer saber?
- Claro
que eu quero, se eu estou perguntando.
- Acho que
você devia rever seus conceitos de amizade.
- Tenho
conceitos de amizade muito bons, se quer saber, tanto que você não
está neles, que maravilha! - levantei-me da cadeira, com a intenção
de finalizar aquela conversa indo até o bebedouro e limpando minha
garganta. Era exatamente por isso que eu não falava com Jullyan.
Infelizmente não tinha andando muito quando a garota gritou o meu
nome.
- Hey,
Carter! - não virei. O que tivesse que falar, falaria sem que eu
tivesse que olhar para ela. - Pelo menos eu contaria a minha "melhor
amiga" se eu estivesse indo embora.
A pessoa que é tão retardada aki enqueceu de deixar o Twitter é @MariPartyTW
ResponderExcluirxx Aquelaquele