quinta-feira, 16 de maio de 2013

Capítulo 32


 Lilyan's POV
Se não houvesse mais ninguém nos corredores quando eu sai do apartamento de Max, eu ainda teria procurado outra Lilyan pelo qual Kelsey chamava. Não me veio motivos na cabeça para ela estar ali e muito menos para ela estar gritando o meu nome. Virei para trás com um sorriso amarelo e esperei que ela viesse até mim.
- Oi? - respondi. - Thomas não está em casa.
- Eu sei. Ele me disse.
- Então... Vocês voltaram?
- Ainda não e não por sua causa.
- Primeiro que a culpa de vocês acabarem não foi minha, que fique bem claro antes de você sair espalhando esse tipo de história por aí.
- Claro que a culpa foi sua ou você realmente acha que se você, mosca morta, não tivesse aparecido, nós teríamos terminado?
- Sinceramente, eu não sei. Mas se você veio pra causa uma confusão, não vai conseguir. Com licença. - passe por ela, em direção ao meu apartamento quando ela voltou a falar, me impedindo de tal ato.
- Não vim comprar briga com você, pelo contrário. Confio tanto em você que tenho algo pra você entregar a Thomas.
- Detesto ironias, já disse isso?
- Ok, eu detesto você e deixo isso bem claro, mas quero que você entregue isso a ele. - estendeu um envelope amarelo e eu o peguei como se fosse algo infectado com uma doença contagiosa. Nada de normal podia vir dela. - Pelo simples fato de ver a sua reação quando souber, nesse minuto, que eu estou grávida.
- Está o que?
- Grávida.
- E você acha que o pai seria o Tom? Tenho certeza que ele teria mais juízo na cabeça. É só isso?
- Se não quiser acreditar, abra os resultados. Não! Melhor! Esteja com ele quando fizer isso, daí não restaram dúvidas.
- Você é impossível, garota. - ri e analisei o que estava em minhas mãos. - Por isso que você diz que vão voltar?
- Mas é claro! Ele tem que estar perto do que ele dele.
- Não necessariamente vocês vão estar casados. Ele é uma boa pessoa, não pra você.
- E você acha mesmo que é pra você? Poupe-me, queridinha. Ele nunca vai ficar com você. Você nunca vai roubá-lo de mim.
- Não quero nada que pertença a ninguém e eu estou muito feliz com a minha situação com Seev. Só acho que você deveria colocar mais seus pés no chão. Conselho de amiga: Não é porque você está grávida ou supostamente grávida, que ele é obrigado a casar com você. Ele não é o tipo de pessoa que está com alguém sem gostar.
- É o que vamos ver. Você não me conhece, Carter.
- Então ótimo, vamos ver no que dá essa sua história. Agora com licença, de novo, eu vou pra minha casa. – novamente virei de costas e continuei andando. Dessa vez não fui impedida e mais uma vez, quando estava abrindo a porta, ouvi mais um de seus avisos: - Eu espero ver você se arrepender de todas as suas palavrinhas bonitinhas, Lilyan! Me aguarde!
- Oh, claro Kelsey. – dei um sorriso de canto de boca e entrei, deixando-a no corredor. Paz novamente, que coisa maravilhosa de se sentir. Aquela garota era visivelmente desequilibrada. Joguei o envelope no sofá e tomei um copo d'água. Grávida. Quem diria.

Obviamente eu estava achando um tanto estranho, porque não me passava pela cabeça que Tom seria tão pateticamente descuidado, mas acho que ele foi. Podia até parecer que não estava preocupada e que o meu... Amigo. Poderia chamar ele assim? Não acharia nenhuma palavra melhor pra descrever sua posição já que “Amor platônico” não estava bem encaixado no meu vocabulário.
A verdade é que por mais que eu me preocupasse, não havia nada que eu pudesse fazer, mas como já havia dito antes, não seria por isso que ele seria obrigado e estar com ele. Ou seria?
Havia percebido que tudo era possível quando se tratava de pessoa sem equilíbrio emocional. Outra conclusão era que Siva não confiou em mim o suficiente para contar sobre a agradável surpresa de Nareesha e suas palavras que não haviam sido nem doces, sutis, meigas e bem pensadas, passavam na minha cabeça a quase todo instante, me impedindo de pensar em qualquer coisa.

Era tarde de sábado quando eu acordei com a campainha tocando. Não costumava acordar tão tarde, até porque eu gostava de sair para correr no parque perto do hotel, mas ultimamente eu estava mais sedentária do que jamais estive na vida, acomodada em casa, comendo chocolates, sorvetes e xícaras descontroladas de café. Corri até a porta e observei quem era pela brecha que abri da porta. Bianca olhava desconfiava entre os corredores e para a janela do lado de fora. Ela estava com duas caixas empilhadas nos braços. Abri a porta e mandei-a entrar.
- Nunca pensei que artigos de casa pesavam tanto! - disse colocando as caixas em um canto da sala.
- Boa dia pra você, também. Pensei que viajasse só amanhã.
- E é verdade, mas eu ainda preciso de ajuda com aquilo ali. Já estou despachando minhas coisas pra casa. Ah, casa! Novinha em folha, só minha, no centro de Madri! Pensei em comprar um cachorro pra não ficar sozinha e um hamster e chama-lo de Carlos! - Bianca pulava de alegria na minha frente, seus olhos brilhando ao falar de eu futuro.
- Carlos? Em um hamster? Só pode estar de brincadeira. - rimos. - Você tem mesmo que ir embora daqui? Vai me deixar sozinha?
- Você não está sozinha, bobinha! Os meninos estão aqui, Seev está aqui. Todos no jornal te amam e você com certeza vai conseguir entrar naquela faculdade e vai ser uma excelente jornalista. De qualquer forma, acho que já está na minha hora de voltar pra casa. Londres já deu o que tinha que dar, uma cidades de loucos!
- Seev? Não por muito tempo.
- Seu estágio acaba só no mês que vem, Lils.
- Não é bem por isso que não temos muito tempo. Longa história.
- Vai ter muito tempo pra me contar no caminho do aeroporto. Tem muito mais coisas de onde vieram essas duas aí. - Tentei me trocar o mais rápido possível, dividindo meu tempo entre tomar um banho, trocar de roupa e comer alguma coisa, tudo isso ao som de uma Bianca animada com a partida. Não entendia porque as coisas eram bem assim e ela podia só mostrar que estava triste por ir. Talvez ela não quisesse estar triste.
Pegamos o primeiro táxi em direção ao aeroporto e demoraríamos um bom tempo até chegar lá. Aeroportos eram sempre tão longes e o trânsito era tão congestionado.
Ao todo foram 10 caixas levadas para o setor das cargas, algumas pesadas, outras mais leves e todas marcadas com letras grandes e vermelhas. Na volta pra casa, acabamos passando em um restaurante no parque, já que a comida que vendiam no aeroporto era cara, ruim e fria, como disse Bianca. Em seguida seguimos para nossa última vez comprando juntas nos brechós conhecidos, atrás de alguma coisa que pudesse se aproveitar.
- É, hoje estava meio fraco por lá. Nem me importei com aquela ruiva aguada pegando o que seria o meu futuro short de couro preto, MAS EU NEM QUERIA MESMO! - gritou para uma garota que ia no lado aposto ao nosso, levando uma sacola em mãos.
- Fica calada, Bianca. Ela é o dobro do nosso tamanho e não tem cara de bons amigos.
- Ela não tem cara de nada, na verdade. Aquela sem sal. ESPERO QUE VOCÊ ENGORDE! - gritava. A garota já estava longe mas nos olhou com uma expressão de quem não se importava com o que a minha amiga gritava.
- Deixando bem claro que se um dia você se meter em confusão, eu sou a primeira a correr e deixar você sozinha.

Ao longo do caminho continuamos conversando, relembrando de quando chegamos em Londres e do estágio. Das pessoas que gostávamos e aquelas que preferíamos nos manter bem longe e olha que não eram poucas. Ainda haviam aquelas que sentiríamos falta da doce rotina que nos proporcionou, como o Sr. Giuseppe e a sua sorveteria com o melhor sorvete que eu havia tomado. Era pra lá que íamos quando meu celular tocou. Olhei rapidamente o visor, sem tira-lo da bolsa. Siva.
- Você não vai atender? - Bianca perguntou.
- Deveria?
- Claro. Isso é pergunta? - dei de ombros e peguei o celular, que ainda tocava, a contra gosto.
- Alô?
- Antigamente eu tinha uma certa namorada que me esperava no aeroporto... - riu. Revirei os olhos e respondi: - Então ela não era eu.
- Claro que era e eu senti sua falta no desembarque.
- Tive que resolver algumas coisas.
- E você ainda não está em casa. Posso saber onde está, se ainda tenho o direito de perguntar?
- Perto do hotel, indo tomar um sorvete...
- Quer que eu dê uma passadinha por aí? Eu estou realmente com saudades. - olhei pra Bia com cara de que não estava gostando da ideia e ela me olhou confusa.
- Não precisa, eu já estou voltando.
- Se você quer assim, tudo bem. - disse desanimado. Odiava aquele tom de voz daquele jeito. Me sentia culpada por aquele sentimento vindo dele, mas não, precisava ser forte e ainda haviam coisas a serem esclarecidas.
- Se importa de esperar por mim na piscina? Acho que dessa vez precisamos mesmo conversa, Seev.   
- Sobre? - houve uma pausa, em que ele esperava que eu lhe adiantasse alguma coisa, mas não o fiz. - Quer saber, não quero saber agora. Nos vemos daqui a pouco. - desligou.

Apesar de Bianca ter dito que teríamos muito tempo para falar sobre Siva, não havia falado nada, como se isso fosse algo pra se adiar mas eu sabia, a partir do momento que ele havia me ligado,ou até antes disso, que não podia mais adiar e teria que tomar decisões importantes, daquelas que eu podia me arrepender mas tiraria um peso enorme dos meus ombros, que eu sentia que estava carregando desde o dia anterior, com a conversa com Nareesha, com suas palavras tão ridículas e bem elaboradas fazendo sentido e com a animação que estava em falta em mim.
    Certas coisas faziam sentido no mundo, mas eu e ele, acho que nunca fizera ou parara de fazer. Nós éramos uma farsa.

4 comentários:

  1. OMG!!!1 "NÓS ÉRAMOS UMA FARSA" PUUUTS QUERO MAIS GENTE, MAAIS

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  2. Demorou, mas a melhor fanfic que eu leio voltou! E estou falando sério, essa fanfic me deixa mais ansiosa do que já sou rsrs'
    Enfim! AMEI E SEMPRE VOU AMAR
    E CONTINUE SEMPRE!

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    1. Ai gente, cadê um botão pra eu te abraçar, garota????
      Você não tem noção de como eu estou aqui depois de ler seu comentário! É por todas que leem que eu ainda escrevo, por pessoas como você que deixou esse comentário LINDO que fez a minha noite!
      Vou continuar, pode ter certeza!
      Posto em breve e obrigada!
      Um grande e super e aconchegante abraço pra você! *-*
      xx

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  3. Please , continue a fic , preciso dela ... urgente ... não pare de escrever ela!!

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