domingo, 23 de setembro de 2012

Capítulo 25


Lilyan's POV
Tinha acabado de sair do banho quando a universidade responsável por aplicar nossas provas ligou, dando a notícia que por alguns motivos, a nossa prova iria ser adiada para o dia seguinte. Eu poderia pensar que fodeu tudo, mas a sorte era que eu, e Bianca consequentemente, estávamos estudando havia algum tempo. Voltei à mesa com uma pilha de livros para revisar o que faltava, com uma xícara do café mais forte que pude encontrar. Café não me agradava, mas provas também não. Não sei a hora em que o café não me serviu mais e eu acabei caindo no sono. Acordei ainda sentada sobre a cadeira, com a coluna completamente arrebentada, ás seis da manhã. Ponto positivo? Tecnicamente estava pronta para fazer essa prova.
Me levantei e fui até a cozinha, esperando achar na cestinha de remédios, algo que melhorasse a minha coluna. Quando engoli o comprimido, subi para tomar um banho e me trocar. Vesti a roupa que eu achava que podia ser mais confortável e a mesma maquiagem simples de sempre. Coloquei o necessário na bolsa, como o celular, um estojo com canetas e alguns resumos para ir estudando no caminho. Eram 7:30 am quando desci para tomar café e Bianca ainda não estava lá. A prova era as 9:00, mas nos recomendaram chegar mais cedo, para não ter nenhum problema. Por que ela não podia ter um pouco de 'pontualidade britânica'? Eu não iria esperar para comer só quando ela aparecesse, eu estava com fome. Pedi panquecas com bastante calda e um chocolate quente grande com chantili. Droga de nervosismo... Ia acabar ganhando uns dois quilos só por causa dessa prova. Eu tinha que passar. Eu tinha que ficar em Londres. Questão de necessidade...
Já estava no meu segundo prato de panquecas quando Bia chegou.
– Lilyan alguma traça está dentro do seu estômago, amiga? Eu nunca vi você comer assim! - ela puxou uma das cadeiras e se sentou, observando o prato vazio que estava na frente do que eu estava comendo agora. - Você deve estar com muita fome, ein?
– Não, não estou. Estou nervosa e por isso eu estou comendo tanto.
– Gordinha ein?
– Cala a boca, Bianca. - continuei comendo enquanto ela beliscava seu sanduíche natural sem graça e sem sabor. Vez ou outra conversávamos sobre o teste, mas fazia questão de cortar esse assunto, a fim de não pedir mais um prato de panquecas.
Saímos do hotel um tanto quanto vazio e pegamos o primeiro taxi que vimos. Fui estudando o caminho inteiro. Percebi que Bianca estava com um olhar vazio ao olhos pela janela, ou que ela queria me contar alguma coisa, mas o que fosse, poderia esperar até sairmos do teste.
Tinham várias pessoas entrando no local dos testes e quando chegamos a sala onde seria, vimos mais ainda. Ótimo, concorrência...
Com mais ou menos meia hora que estávamos lá, uma senhora de cara amarrada entrou.
– Todos olhando para frente, não quero ninguém com cabeças viradas ou com conversinhas. É proibido o uso de aparelhos eletrônicos, então eu sugiro que todos desliguem. Qualquer tipo de pesca ou cola é proibido, causando a anulação da prova. Vocês tem 5 horas para terminar, acabando esse tempo, eu recolho, mesmo que vocês não tenham acabado. Alguma dúvida? Não? Nenhuma? Então eu vou começar a entregar as provas.
Olhei uma última vez para Bianca e acenei a cabeça e sorri, desejando boa sorte. Ela retribuiu. Quando já estava com a prova em minha cadeira percebi que agora só dependia de mim. Um futuro todo dependeria do meu resultado daquela prova.
Era passar ou voltar pra casa.
Siva's POV
Estava com uma dor de cabeça horrível quando eu acordei. Logo percebi que não estava em casa e não lembrava muito bem o que havia acontecido na noite anterior. Tudo cheirava a álcool, comida e vômito em algum lugar. Me levantei devagar e avistei James deitado no chão com uma garrafa.
– Acorda, cara. O que aconteceu ontem? - chutei de leve um dos seus braços na tentativa de faze-lo acordar e quem sabe, me dar alguma explicação, porque eu mesmo, não achava nenhuma.
– O que você ta fazendo aqui essa hora?
– Esperava que você me dissesse isso.
– Você lembra de alguma coisa? - ele perguntou rolando a garrafa para algum dos cantos e arrastando-se para o sofá.
– Acho que sim... - joguei-me na poltrona e passei a mão no rosto, tentando lembrar de algo. - Devo ter chegado aqui de tarde, você estava bebendo e disse que terminou com a Annie...
– Caralho! Eu lembro disso... Lembro de você ter falado da Nareesha também.
– Era melhor nem ter lembrado dessa parte.
– Mas por que você terminou com ela mesmo, Jay?
– Porque ela é uma vadia egoísta. Não vamos falar dela.
– Você que manda, cara. Que horas são?
– Tenho cara de quem sabe as horas?
– Na verdade tem cara de alguém que informa as horas com o relógio que tem no pulso.
– Ah sim... - olhou as horas com dificuldades e riu. - Estamos meio atrasados para o café da manhã, se quer saber.
– Dá pra falar que horas são?
– Quase 2:30pm.
– Deus do céu, dormimos demais! - me levantei em busca das minhas coisas e achei meu celular jogado perto da geladeira e minhas chaves atrás de uma das poltronas. São motivos misteriosos os de como elas foram parar lá.
– Aonde você vai? - perguntou Jay.
– Vou pra casa tomar um bom banho e descer para comprar uma boa aspirina e comer. Ah! E encontrar a minha namorada que não tenho notícias desde ontem.
– Não vou almoçar sozinho.
– Então eu passo aqui quando estiver indo. Odeio essa sua carência, James! Vou perguntar a Lilyan se ela tem alguma amiga pra você.
– Eu não estou carente, seu filho de uma mãe. E eu não preciso de... amigas. Eu posso muito bem arrumar quem eu quiser.
– Ah, claro que pode. Até mais tarde. - bati a porta e andei lentamente em direção ao meu apartamento. Minha cabeça explodia. Puxei o celular depois que entrei e mandei uma mensagem para Lily, que até agora, eu não tinha notícia alguma.
"Adoraria saber onde você está. Bom dia.
xx"
Fui direto para o chuveiro. A água fria caia, aliviando as enxaquecas e me fazendo ter algumas lembranças da noite anterior, algo como eu e James pulando em cima do sofá e Tom reclamando qualquer coisa que, pra mim, não tinha sentido algum. Se bem que, nada estava fazendo muito sentindo, não? Sim, lembro de tudo, ou praticamente tudo de quando tive o infeliz encontro com Nareesha novamente. Aquilo era uma coisa que não fazia sentido e nunca iria fazer.
Depois de errar algumas vezes o lugar da toalha, sai do banheiro sem me preocupar em quanto estaria molhando o piso de madeira. Oh sim, a moça da limpeza iria reclamar comigo...
Coloquei uma calça de moletom quente e uma blusa sem mangas preta. Calcei um tênis e peguei uma jaqueta. Olhei para o celular esperando ter alguma resposta, mas ele continuava lá, do jeito que eu o tinha deixado. Ela só podia estar fazendo alguma coisa. Eu só tinha que me lembrar o que... Comecei a tentar lembrar de todas as coisas que ela me disse que ia fazer...
Prova da faculdade. Era isso. Ela não iria responder e provavelmente não iria aparecer para o almoço. Peguei meus óculos escuros por causa da vermelhidão que apareceu em meus olhos, tranquei tudo e andei por algumas portas novamente até voltar ao apartamento de Jay. Felizmente ele não demorou e logo estávamos no elevador rindo sobre coisas que ele tinha lembrado da noite que passou. Com certeza ele poderia ficar sem lembrar.
Como de costume, o restaurante estava quase vazio nas tardes de segunda-feira, mas o almoço ainda estava quente e com uma cara muito boa, diga-se de passagem.
– E aí, tem notícias da Lilyan?
– Não, lembrei que ela está fazendo prova... - por mais ridículo que pareça, passar tanto tempo sem falar com ela, me fazia sentir muito sua falta.
– Ei cara, por que essa cara? Você está extremamente meloso por causa dela. Relaxa.
– Ei! - protestei. - Eu sinto a falta dela, ok? Ok.
– Então fique feliz em saber que ela ta vindo aí. - virei minha cabeça e um sorriso involuntário apareceu quase que instantaneamente. Linda, ela era sempre linda. Me levantei e fui em sua direção para lhe abraçar. Dei um beijo em sua bochecha, que ela retribuiu.
– Vejo que a princesa acordou, não foi? - Lilyan me deu um sorriso irônico enquanto eu puxava uma cadeira do meu lado para ela sentar. - Logo você que costuma acordar mais cedo...
– É... Aconteceram alguns pequenos imprevistos ontem de noite.
– Eu já sei o que houve, Seev. Tenho meus informantes! - gargalhava enquanto procurava alguma comida no cardápio.
– Max ou Tom? - Jay perguntou rindo quem a havia informado.
– Tom!
– “Tom.” - fiz uma imitação tosca e sem graça... Ora, ciúmes.
– Siva, nós já falamos sobre isso... - reclamou, lançando-me um dos seus olhares mais repreendedores. Funcionava...
– Lilyan... - ia começar um longo discurso de como eu tinha ciúmes e que não era pra ela se importar com isso, mas Jay fez o favor de me interromper.
– Mas então, Lils, onde está a Bia? Ela não estava fazendo prova com você?
– Ela estava atrás de mim quando eu vinha pra cá... Agora eu estou realmente curiosa... Ela não me falou nada... Você não a via quando eu estava vindo?
– Não, você veio sozinha. - ele a respondeu. Vi sua expressão mudar de feliz para preocupada.
– Vai ver ela foi no banheiro, baixinha.
– Vai ver... Adoraria saber pra onde ela foi. Ela não sairia assim, sem me falar nada, Seev... Só quando... - ela abaixou a cabeça e mexeu em um dos anéis do seu dedo.
– Só quando, o que? - levantei sua cabeça delicadamente com uma das mãos.
– Quando ela vai fazer merda.
Bianca's POV
Particularmente eu odiava elevadores. Principalmente quando eu estava nervosa. Eles me davam uma sensação de que as coisas não iam dar certo, mas fico feliz em dizer que, se tudo ocorresse como na minha cabeça, tudo sairia bem ou quase. Uma vez que eu descobri qual era o problema sobre eu não estar me sentindo bem, eu precisava acabar com isso, antes que acabasse comigo, que me consumisse por dentro. Simplesmente decidi enquanto fazia uma das provas mais cansativas da minha vida, mas acho que até fui bem... Eu que não estava bem. Desde aquela última tarde, desde essa manhã, desde agora.
Minha respiração estava rápida e ofegante, como se eu tivesse corrido vários quilômetros antes de entrar aqui. Estava sem fome, mas sentia meu estômago afundando a cada andar que subia, a cada vez que eu olhava minha imagem refletida no espelho. Era a decisão certa? Claro que era. Havia pensado muito antes disso. Não poderia contar para ninguém antes de fazer, Lilyan por exemplo, não me apoiaria e insistiria que era uma loucura e que eu estava completamente errada. Não, não era. Era sábia, importante e realista. Completamente realista. Realista era o que eu não estava sendo ultimamente. Hora de acabar com isso.
O elevador para. Vigésimo quinto andar. Saindo dali era um caminho sem volta. Certo.
Andei com passos leves até o apartamento que eu já estava acostumada a estar. Tão familiar e tão... Desconfortável? Não sei se seria a palavra certa...
Minhas mãos tremiam e insistiam em suar. Minhas pernas tremiam e por um instante pensei em voltar, mas aí eu fiz. Toquei a campainha.
Alguns minutos passaram enquanto eu cantarolava qualquer música que vinha a cabeça, mas ninguém abriu a porta.
Toquei novamente a campainha. Não poderia voltar sem fazer o que pretendia.
Barulhos. Uma chave sendo girada e um garoto ainda de pijama aparece a minha frente e abre um sorriso. Eu não estava para sorrisos...
– Bom dia, Bia! Eu achava que você não ia aparecer até mais tarde e...
– Nathan, nós precisamos conversar.

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